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País já começa a importar estanho

OESP, Economia, p.B8
25 de Mar de 2004

País já começa a importar estanho
Extração doméstica acaba em 12 meses, alerta a mineradora Paranapanema

PRISCILLA MURPHY

O Brasil já começa a importar estanho e a extração doméstica do minério vai praticamente acabar em 12 meses, alerta a mineradora e metalúrgica Paranapanema, que tem 71% da produção nacional do metal. "O mercado de estanho está muito apertado e já se iniciou a importação por motivo de segurança", diz o presidente da Paranapanema, Geraldo Haenel.
Há um ano, a empresa tenta obter financiamento de US$ 20 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para montar nova operação de mineração de estanho no Amazonas, substituindo a extração de aluviões na mesma região, onde o metal está se esgotando. A Paranapanema, controlada pela Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), tem o direito de explorar a maior mina polimineral do mundo, uma montanha com 28 minerais no município de Presidente Figueiredo, a 320 quilômetros de Manaus.
O empresário, que assumiu o controle do grupo no ano passado para pôr as finanças em ordem, diz não entender a demora do BNDES em aprovar o financiamento, por se tratar de uma questão estratégica para o País. Em 2003, o Brasil produziu 10,7 mil toneladas de estanho, metal usado na produção de itens como latas de bebidas, tubos, válvulas e solda para a indústria eletroeletrônica. Desse total, o mercado doméstico consumiu 6,3 mil toneladas e o restante foi exportado, quase tudo pela Mamoré Mineração e Metalurgia, subsidiária de estanho da Paranapanema. "No ano passado, o País exportou o equivalente a US$ 35 milhões, e terá de importar US$ 25 milhões por ano se a produção nacional acabar", diz Haenel.
Além de evitar um rombo de US$ 60 milhões na balança comercial, um eventual fracasso do novo projeto na mina de Pitinga levará o Grupo Paranapanema a desativar a unidade de Presidente Figueiredo, desempregando os 1,2 mil funcionários. "Sem o crédito, o destino é fechar a unidade."
Além da vila de Pitinga, a empresa beneficia cerca de mil índios Uaimiri-Atroari, cuja reserva atravessa com uma estrada, pela qual paga pedágio de R$ 64 mil por mês, segundo os regulamentos da Fundação Nacional do Índio (Funai).
O senador Jefferson Péres (PDT-AM), da Subcomissão Permanente da Amazônia do Senado, já teve aprovado requerimento convocando todas as partes para uma audiência pública, ainda sem data marcada, para esclarecer o problema.
Haenel diz que todos reconhecem a importância estratégica do projeto, "que tem retorno garantido". Segundo ele, há demanda de sobra para o produto no mercado mundial, onde as cotações subiram quase 100% nos últimos 12 meses, para uma faixa de US$ 7,6 mil a US$ 8 mil em Londres. Além disso, o equipamento a ser usado na nova mina de estanho será nacional, o que beneficiará outras empresas brasileiras.

OESP, 25/03/2004, p. B8.

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