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Painel cita técnicas do Brasil como alternativa

OESP, Metrópole, p. A17
01 de Abr de 2014

Painel cita técnicas do Brasil como alternativa
Efeitos da mudança climática podem ser
combatidos com adaptação do ecossistema

Giovana Girardi
ENVIADA ESPECIAL / YOKOHAMA

Além das recomendações para que os países invistam em infraestrutura para aumentar a capacidade de resistência às mudanças climáticas, ganhou espaço uma alternativa mais barata que pode, em alguns locais, conseguir efeitos parecidos: a adaptação baseada em ecossistemas.
O tema aparece em cerca de metade dos capítulos do novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado anteontem em Yokohama, no Japão. E teve destaque no capítulo regional de América Central e do Sul, onde técnicas como criação de áreas protegidas, acordos para conservação, pagamento por serviços ambientais e manejos comunitários de áreas naturais estão sendo testadas, inclusive no Brasil.
De acordo com o ecólogo Fabio Scarano, da Conservação Internacional, e um dos autores desse capítulo, a ideia é fortalecer serviços ecossistêmicos que são fundamentais. Um ambiente bem preservado tem a capacidade de prover um clima estável, o fornecimento de água, a presença de polinizadores. "Como se fosse uma infraestrutura da própria natureza", diz.
Como premissa, está a conservação da natureza aliada ao incentivo do seu uso sustentável a fim também de evitar a pobreza, que é um dos principais motores da vulnerabilidade de populações.
"Normalmente, quando se fala em adaptação, se pensa na construção de grandes estruturas, como um dique, por exemplo, para evitar uma inundação. O que, em geral, é muito caro, mas em uma adaptação baseada em ecossistemas, conservar a natureza e usá-la bem é uma forma de diminuir a vulnerabilidade das pessoas às mudanças climáticas", afirma.
Ele cita como exemplo uma região costeira em que o mangue tenha sido degradado. "Esse ecossistema funciona como uma barreira. Mas, sem ele, em um cenário de ressacas mais fortes, de elevação do nível do mar, a costa vai ficar mais vulnerável e será necessário construir diques. Mas, se o mangue é mantido em pé e se oferece um auxílio para que as pessoas possam ter uma economia básica desse mangue, com técnicas mais sustentáveis, e elas receberem para mantê-lo assim, vai ser mais barato do que depois ter de fazer um dique", explica.

IMPACTOS JÁ OBSERVADOS E RISCOS FUTUROS

Consequências já observadas:
Mudanças no clima causaram impactos nos sistemas naturais e humanos em todos os continentes e nos oceanos.
Em muitas regiões, mudanças na precipitação ou derretimento de neve e gelo estão alterando os sistemas hidrológicos. Os glaciares continuam a encolher.
Muitas espécies têm mudado sua abrangência geográfica, suas atividades sazonais, os padrões de migração, a abundância das populações (alta confiança).
Os impactos dos eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, inundações, ciclones e incêndios, revelam a vulnerabilidade e exposição de alguns ecossistemas e muitos sistemas humanos à variabilidade climática atual (muito alta confiança).

Risco para o futuro:
Ao longo do século 21, projeta-se que a mudança do clima vai reduzir a oferta de água renovável na superfície e nas fontes subterrâneas nas regiões subtropicais mais secas (evidência robusta, alta concordância).
Por causa do aumento do nível do mar projetado para o século 21 e depois, sistemas costeiros vão cada vez mais experimentar impactos adversos, como submersão, inundações e erosão costeira (muito alta confiança).
Áreas urbanas concentram boa parte dos riscos: estresse térmico, chuvas extremas, inundações nas áreas costeiras e no interior, deslizamentos de terra, poluição do ar, seca, escassez de água. Tudo isso traz riscos para pessoas, bens, economias e ecossistemas (muito alta confiança).
Até metade do século, as mudanças climáticas vão ter impacto sobre a saúde humana ao piorar problemas de saúde que já existem (confiança muito alta).

OESP, 01/04/2014, Metrópole, p. A17

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,painel-cita-tecnicas-do-pais-c…

http://www.estadao.com.br/noticias/vida,ipcc-destaca-impactos-atuais-e-…

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