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Pacto no Pará tenta barrar soja de áreas desmatadas

Valor Econômico, Agronegócios, p. B12
15 de Ago de 2014

Pacto no Pará tenta barrar soja de áreas desmatadas

Por Bettina Barros | De São Paulo

Compradores de soja do Estado do Pará assinam na noite desta sexta-feira, em Paragominas, um documento com o Ministério Público Federal (MPF) e o governo do Estado no qual se comprometem a não comprar grão de propriedades que tenham desmatado ilegalmente florestas. A iniciativa, chamada de "Acordo Verde dos Grãos", visa impedir que a expansão prevista das lavouras de soja no Pará - em virtude da nova malha logística que se desenha no Norte do país - ocorra de forma insustentável.
Segundo o procurador Daniel Avelino, a tentativa é replicar o programa "Carne Legal" da pecuária, que amarrou um comprometimento da indústria de se assegurar sobre a procedência dos animais. "Temos visto um avanço da área de soja no Pará nos últimos dois, três anos. A soja é interessante para o Estado, mas tem de chegar de forma sustentável, com critérios socioambientais", afirma Avelino. "Ao contrário da pecuária, a soja se antecipou, querendo saber quais são as regras. É um avanço porque mostra maturidade do setor".
Com a assinatura, os compradores de soja paraenses comprometem-se a adquirir o grão de propriedades rurais que tenham o Cadastro Ambiental Rural (CAR), ferramenta do novo Código Florestal que funciona como um raio-X da fazenda. Através de mapeamento por satélite, as autoridades passam a ter um conhecimento preciso de onde estão as áreas florestais e de produção, por exemplo - e identificar eventuais aberturas de mata para conversão em lavoura. Outras regras também foram contempladas, como a proibição de compra de soja de área desmatada ilegalmente pós-junho de 2008.
À frente das principais ações de combate ao desmatamento na Amazônia, os procuradores do MPF do Pará querem também evitar o que dizem ser um "furo" na Moratória da Soja - assinada em 2006 por tradings, produtores, associações e ONGs ambientalistas sob a premissa de desmatamento zero. "A gente via produtor signatário da Moratória 'esquentando' soja de origem ilegal", diz Avelino. "Alguns sojicultores de áreas embargadas vendiam para quem estava apto a comercializar", burlando a lógica do acordo, afirma o procurador.
De acordo com Avelino, o cruzamento de dados propiciado pelo CAR - produtividade máxima na região versus área produtiva de uma propriedade - poderá ajudar no rastreamento de "pontos fora da curva". A penalidade, nesse caso, é de três anos sem poder comprar soja no Pará.

Valor Econômico, 15/08/2014, Agronegócios, p. B12

http://www.valor.com.br/agro/3654818/pacto-no-para-tenta-barrar-soja-de…

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