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Os transgênicos avançam

OESP, Economia, p. B2
Autor: MING, Celso
14 de Nov de 2009

Os transgênicos avançam

Celso Ming

Apesar da polêmica e da má vontade com que são recebidos pelos fundamentalistas ambientais, os produtos transgênicos vão ganhando espaço no mercado global.

O Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, na sigla em inglês) aponta que, no ano passado, foram cultivados 125 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas em 25 países, um crescimento de 9,4% sobre o ano anterior. O Brasil aparece em terceiro lugar na lista dos maiores produtores, atrás apenas dos Estados Unidos e da Argentina, com 16 milhões de hectares cultivados com soja, milho e algodão transgênicos.

O setor já colocou em marcha a produção de transgênicos de segunda geração, cujo objetivo não é mais a obtenção de alimentos com custos mais baixos, mas de alimentos dotados de maior valor nutritivo e vitamínico, caso da soja enriquecida com o fator Ômega 3 desenvolvida pela Monsanto nos Estados Unidos e já aprovada para a sua comercialização.

Fora do setor alimentício, a tecnologia procura novos objetivos. O professor associado do Departamento de Genética da Esalq/USP, Carlos Alberto Labate, pesquisa novas variedades de eucalipto com capacidade de absorver maior quantidade de luz e, dessa forma, produzir mais biomassa. Ao buscar mais eficiência no processo de fotossíntese da planta, o projeto espera contribuir também para a maior absorção de gás carbônico da atmosfera.

Outra linha de pesquisa se dedica a alterar a composição química original da madeira do eucalipto para que seu processamento na produção de celulose possa dispensar produtos químicos (especialmente soda cáustica) e, assim, contribuir para reduzir seu impacto sobre o meio ambiente.

Mas Labate se queixa das pressões irracionais sobre seu trabalho: "A pesquisa em si é rápida. O que atrasa tudo é aquilo que chamo de "fator Brasil"; é a pesada burocracia que tem de ser enfrentada diariamente pelo pesquisador brasileiro. É um emaranhado de legislativo que emperra tudo e dificulta inclusive a importação de produtos químicos e biológicos destinados à pesquisa."

Avaliação parecida tem a diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Alda Lerayer. Para ela, o País já desenvolve tecnologia de ponta em relação aos transgênicos. "Só não estamos mais avançados na liberação comercial das novas variedades porque houve no passado atraso excessivo na liberação dos ensaios de campo, um pouco por desconhecimento e outro pouco por ideologia."

Confira a seguir algumas das novidades em pesquisa de transgênicos no Brasil e no mundo:

Feijão e alface com maior quantidade de vitamina (ácido fólico), ambos em fase de desenvolvimento no País pela Embrapa;

Soja resistente ao ataque da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis), principal praga das lavouras da América do Sul, desenvolvida pela Monsanto no Brasil;

Milho com alteração na enzima alfa-amilase, que aumenta a produção de etanol entre 10% e 15% e melhora a eficiência do processo, economizando água e energia. Em testes de campo nos Estados Unidos pela Syngenta;

Mandioca com três vezes mais betacaroteno (precursor da vitamina A), em testes de campo na Nigéria. Desenvolvida pelo Programa BioCassava Plus, que reúne pesquisadores de diversas nacionalidades;

Arroz (já polido) com maior teor de ferro, em testes de campo na Suíça, desenvolvido pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich, na sigla em inglês);

Abacate resistente a fungos, especialmente a um tipo que ataca as plantações espanholas. Em desenvolvimento pelas universidades de Málaga, na Espanha, e da Flórida, nos Estados Unidos. Colaborou Nívea Terumi

OESP, 14/11/2009, Economia, p. B2

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