O Globo, Ciência, p. 35
03 de Jul de 2008
Os maus companheiros
Criado índice que revela os piores parceiros no combate ao aquecimento global
Pesquisadores suíços anunciaram ontem a criação de um índice capaz de indicar se um país é um bom ou um mau companheiro na luta mundial contra o aquecimento global. O Brasil aparece relativamente bem no quadro, na faixa de 3,5 a 4 de um índice que vai de 0 a 5,5 - à frente, por exemplo, dos Estados Unidos e da Rússia. Mas os melhores companheiros climáticos, segundo o estudo, são aquelas nações que já enfrentam problemas ligados às mudanças climáticas, como a Micronésia.
Especialistas vêm frisando que o combate ao aquecimento requer um trabalho global conjunto e, por isso, é importante entender por que várias nações não conseguem cumprir suas obrigações. O estudo foi divulgado a menos de uma semana do início da reunião do G8, em Hokkaido, no Japão, cujo tema principal será mudanças climáticas, e onde, certamente, o empenho das nações voltará a ser cobrado.
Michele Battig e seu grupo do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, em Zurique, criaram o Índice de Cooperação Climática que poderá ser usado para estudar os motivos que levam um governo a cooperar (ou não) com a política climática internacional.
Isso envolve, por exemplo, os sistemas políticos de cada país, o grau de pobreza, o custo de possíveis medidas de adaptação às mudanças climáticas, entre outras variáveis que tornariam um país um bom ou mau companheiro na luta global.
O índice é baseado em cinco fatores: a rapidez na adesão à Convenção de Mudanças Climáticas da ONU e ao Acordo de Kioto; a freqüência com que o país contribui com a convenção; o cumprimento do prazo de apresentação do último relatório de emissões de gases-estufa e o volume de redução do lançamento de CO2 na atmosfera em relação ao PIB per capita.
Reino Unido e Alemanha no topo da lista
Entre os principais atores climáticos destacam-se o Reino Unido e a Alemanha, enquanto os Estados Unidos e a Austrália - notoriamente relutantes em implementar políticas de combate ao aquecimento global - aparecem com índices baixos.
No topo da lista formada por 188 países, estão Letônia, Micronésia e Eslováquia -- nações que reduziram significativamente suas emissões e têm sido diligentes na ratificação de acordos, apresentação de relatórios e cumprimento de prazos. Os menos cooperativos da lista são Iraque, Brunei, Andorra e Somália, que não ratificaram nenhum acordo climático e também deixaram a desejar nas outras categorias.
John Vogler, da Universidade de Keele, disse, em entrevista à revista "NewScientist" que o índice é inovador e poderia ser usado em encontros internacionais. Embora a maioria das descobertas do estudo confirme o que especialistas poderiam ter deduzido, uma delas é surpreendente: a que revela que os países que devem pagar os maiores valores para reduzir emissões foram os mais rápidos em ratificar o Acordo de Kioto. Não se sabe ainda, no entanto, se isso se traduz em compromisso nacional com a causa climática.
O Globo, 03/07/2008, Ciência, p. 35
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