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Os indios e as armas

JB, Mauro Santayana, p.A2
Autor: SANTAYANA, Mauro
21 de Jan de 2006

Dos arquivos do repórter
Os índios e as armas
O general-de-exército Cláudio Barbosa de Figueiredo, comandante-geral da Amazônia, enviou-me correspondência sobre a coluna Coisas da Política publicada no dia 9, e que tratou do treinamento militar dos índios. Dela extraímos os seguintes pontos:
''A sua análise precisa dos fatos, além de demonstrar um grande conhecimento sobre os temas amazônicos, foi recebida por nós, soldados da selva, como reconhecimento sincero pelo trabalho anônimo e diuturno que realizamos neste tão imenso e cobiçado pedaço do território brasileiro.''
''Cabe ressaltar que, na década de 50, antes da intensificação da presença militar na região, somávamos cerca de 1.500 militares concentrados em poucas localidades. Hoje, somos mais de 22 mil homens e mulheres que lutam diariamente nesse rincão do país. São jovens, muitos deles de origem indígena, que, nesse exato momento, contemplam as águas dos rios-fronteira, como o Oiapoque, o Tacutu, o Içana, o Uaupés, o Javari ou o Abunã e tantos outros, todos com olhar vigilante, delimitando o espaço da soberania brasileira, num trabalho anônimo, despojado de vantagens materiais, motivados tão-somente pelo dom de servir, pela dedicação ao Exército e pelo amor à nossa pátria.''
''Como o senhor bem descreveu, nossos soldados, brasileiros de farda, desenvolvem um gigantesco trabalho, continuando a epopéia do inesquecível Marechal Rondon, citado em sua coluna, ligando, integrando, levando saúde, segurança, educação, civismo e brasilidade aos pontos mais longínquos da Amazônia, com a mesma fé e abnegação do antigo chefe, atuando diretamente junto às inúmeras comunidades indígenas.''
''A propósito, são índios, também, os nossos soldados na fronteira. São índias as nossas esposas e nossas crianças, que se fundem em uma só tropa camuflada e bradam em bom português e em seus próprios dialetos o lema do guerreiro da selva: 'A Amazônia nos une! Tudo pela Amazônia! SELVA!'''.
''Não obstante, e, novamente ratificando seu comentário, alguns brasileiros, ou por não conhecerem de perto a questão indigenista da Amazônia, ou por má-fé, querem condenar nossos irmãos, brasileiros da floresta, ao abandono e ao isolamento da pátria, além de negar-lhes o acesso aos mais elementares avanços da humanidade.''
''São manifestações assim, como o seu artigo, que sempre nos motivam a perseverar na missão e prosseguir no adestramento diário da vida e do combate na selva, garantindo ao povo brasileiro que o seu Exército estará sempre pronto para defendê-lo, em qualquer circunstância.''
''Um fraterno abraço.
General-de-exército Cláudio Barbosa de Figueiredo, comandante-geral da Amazônia.''

JB, 21/01/2006, p. A2

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