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Os ganhos: 20% no bolso e 30% para o ambiente

OESP, Metrópole, p. C3
17 de Dez de 2008

Os ganhos: 20% no bolso e 30% para o ambiente
Cerca de 370 mil unidades poderão iniciar cobrança de água até fevereiro

Marcos Burghi

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai iniciar em 2009 a cobrança individualizada de água nos condomínios de todos os 364 municípios atendidos pela empresa. Com isso, a conta deixa de ser rateada entre os moradores do prédio e cada condômino passa a pagar apenas por aquilo que gastar. Para isso, basta a aprovação da assembléia condominial.

A expectativa é de que quem fizer o convênio agora receberá a primeira cobrança em fevereiro. Os prédios mais novos, com dez anos ou menos, já estão adaptados para receber os sistemas via cabo ou radiofreqüência. Há 370 mil unidades autônomas nessa situação. E as adaptações mais significativas, que vão atrasar o processo, ocorrem em prédios antigos.

Segundo o presidente da companhia, Gesner Oliveira, essa solução normalmente é bem recebida pelos consumidores. Hubert Gebara, diretor do Grupo Hubert, especializado na área imobiliária, considera que a economia na tarifa de água será de pelo menos 20%. O motivo é que, com o custo sendo dividido entre todos os condôminos, é comum alguns consumidores não se preocuparem em economizar. Com a individualização, cada um vai pagar pelo próprio consumo.

E as vantagens para o meio ambiente são maiores: o professor do curso de Engenharia Civil da Fundação de Ensino Inaciana (FEI), de São Bernardo do Campo, Jorge Giroldo afirma que, atualmente, o consumo diário de água por pessoa na Grande São Paulo é estimado em 165 litros. Ele acredita que, a partir da medição individualizada, o consumo e os desperdícios caiam em 30%.

Giroldo ressalta que a prática trará agilidade na verificação de vazamentos. Para Oliveira, a iniciativa diminui o porcentual de perda da água. Segundo ele, em 2006, 32% do líquido se perdia antes de ser consumido; hoje, o índice está em 28%. Com a individualização, até 2010, a perda deve ficar em 24%. A economia seria suficiente para abastecer uma cidade como Santos, na Baixada Santista, durante um ano.

APROVAÇÃO

Em novembro do ano passado, o síndico de um prédio no Limão, na zona norte de São Paulo, informou que o consumo de água em todo o prédio caiu 42% no mês seguinte à instalação dos medidores individuais. Isso considerando que a cobrança era feita diretamente pelo síndico, que ainda rateava um valor geral, sem o "aval" da Sabesp. A conta mais barata refletiu também na queda dos índices de inadimplência no edifício: passou de 27% para 3%.

Segundo a Hubert, os gastos com água representam entre 10% e 15% dos custos totais dos condomínios. Em 2007, a Techem - empresa que instala medidores individuais de água - fez um estudo que mostrou que cerca de 70% dos moradores de prédios da capital paulista pagam uma tarifa acima daquilo que efetivamente consomem no dia-a-dia.

COLABOROU RODRIGO GALLO

TIRE SUAS DÚVIDAS

Como era: Com o sistema de medição única para o
condomínio, o custo total com água é dividido entre todos os
moradores do prédio

Como fica: Com individualização do medidor, cada unidade
residencial passa a ter medidor de água e os moradores pagam apenas pelo que consumirem

Quem faz a medição: A medição pela Sabesp continua a mesma: será feita na parte externa do condomínio, onde estarão o hidrômetro coletivo e o concentrador, aparelho que reunirá os dados registrados em cada hidrômetro individual. O coletivo continua totalizando o consumo geral do edifício (individual e comum)

Como saber o valor: Para saber quanto cada unidade habitacional vai pagar, o gasto registrado no hidrômetro individual será subtraído do gasto total

Cinco dúvidas

1. Quais são as vantagens da medição individualizada?

Medição real do próprio consumo de água; maior facilidade para detectar vazamentos internos; incentivo a economia de água no edifício; conta individual de água; diminuição da taxa de inadimplência; aumento do valor venal do imóvel e aumento da satisfação dos clientes

2. A medição pode ser adotada em qualquer edifício?

Sim, a medição individualizada pode ser instalada em edifícios que estejam sendo construídos e em edifícios já construídos, porém em alguns casos o custo elevado inviabiliza a obra

3. Em condomínios novos, a medição individualizada de água já é obrigatória?

Não, a medição individualizada de água ainda não é obrigatória, mas é uma tendência no mercado

4. Como funciona o sistema de medição individualizada de água?

Um medidor de água será instalado em cada apartamento e, por meio de um sistema de comunicação por rádio ou cabo, o valor de cada um é contabilizado e enviado para uma central (concentrador), que na maioria dos casos é instalado no andar térreo dos edifícios

5. A instalação do sistema de medição individualizada pode apresentar problemas?

Caso a instalação seja feita por um profissional despreparado, o sistema poderá vir a causar problemas como: prejudicar o
desempenho do sistema de distribuição de água, o que
pode causar pontos de consumo sem pressão suficiente e vazamentos; além de criar uma medição imprecisa, fazendo
alguns apartamentos pagarem pelo consumo dos outros. Por isso, procure um dos profissionais certificados pelo ProAcqua

Mais informações em http://www.proacqua.org.br

Medidor individualizado custa até R$ 1 mil
Para especialista, trata-se de um investimento direto, com retorno total no prazo de até 1 ano

Marcos Burghi

A instalação dos medidores individuais de consumo de água em condomínios nas cidades paulistas atendidas pela Sabesp pode custar até R$ 1 mil. A estimativa é de Márcio Rachkorsky, especialista em Direito Imobiliário do escritório Rachkorsky Advogados. O advogado afirma, no entanto, que se trata de um investimento direto, com retorno num prazo entre seis meses e 1 ano. Rachkorsky conta que acompanhou cerca de "cem assembléias" e em todas a idéia da medição individualizada foi bem recebida.

A Sabesp ressalta que a mudança não será obrigatória e a decisão terá de ser tomada em assembléia dos condôminos. A empresa criou um programa chamado PróAcqua, em parceria com o Centro de Desenvolvimento e Documentação da Habitação e Infra-Estrutura Urbana (Cediplac), da Universidade de São Paulo (USP), cujo objetivo é treinar e capacitar empresas e profissionais para instalar os medidores individuais. Para que os equipamentos sejam colocados no edifício, o síndico (ou a empresa administradora do condomínio) deverá entrar em contato com a PróAcqua. Os técnicos vão elaborar um projeto de individualização, que será diferente para cada prédio, por conta do tamanho e do número de unidades residenciais.

A Sabesp informou que o custo da instalação varia de acordo com o tamanho do condomínio, mas aposta em uma média de R$ 700. Gesner Oliveira acredita que a medida que novas empresas sejam cadastradas para prestar o serviço, o preço tende a baixar. É possível que algumas empresas façam parceria com os condomínios maiores, para oferecer promoções aos moradores.

OBRAS

Ele também afirma que, em prédios antigos, com mais de 20 anos de uso, a modificação poderá enfrentar complicações, por causa das modificações necessárias - incluindo quebra de áreas e instalação de canos. O trabalho consiste na instalação de um hidrômetro por apartamento e um concentrador de dados, aparelho que será instalado na área comum do prédio e utilizado pela Sabesp para a leitura do consumo de cada apartamento.

Síndico diz que hábito já mudou

Marcos Burghi

O Condomínio Nova Imagem, em Francisco Morato, na Grande São Paulo, foi utilizado como "laboratório" do programa. A instalação dos hidrômetros nas 16 unidades distribuídas pelos quatro andares mais o concentrador de dados no térreo custou R$ 750 por apartamento e o serviço levou um mês.

"Já percebemos mudanças nos hábitos dos moradores e o perfil de consumo no residencial mudou', afirma o síndico, Joaquim Mouzar. Segundo ele, a adoção do sistema há 60 dias ainda não pôde ser totalmente avaliada: ainda não foi enviada nenhuma cobrança individual. Mas ele considera que a recepção foi boa.

A longo prazo, a medida pode ainda contribuir para a redução na taxa condominial, conforme o que for negociado nas assembléias.O valor médio dos condomínios varia até 77,4% entre os principais bairros de São Paulo. É o que aponta levantamento da empresa de administração Lello em 1,1 mil empreendimentos da capital paulista. A cota média da cidade ficou em R$ 561,07. Os prédios da região da Mooca têm o valor médio de condomínio mais baixo, de R$ 418,78. Já na área nobre dos Jardins, a cota média fica em R$ 742,99.

OESP, 17/12/2008, Metrópole, p. C3

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