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Autor: Carlos Oliveira
11 de Set de 2009
Animais no topo da cadeia alimentar como grandes felinos e outros carnívoros, lobo-guará por exemplo, são indicativos de que determinada área da natureza é mais ou menos preservada. Essa tese é defendida por inúmeros pesquisadores e foi reforçada pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Rodrigues, durante I Seminário de Pesquisa e Iniciação Científica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), promovido na última semana de agosto. Segundo ele, são fartos os dados que apontam nessa direção.
E o melhor de tudo o que se sabe, frisa o professor, é que as Unidades de Conservação (UC) têm se apresentado como as áreas onde mais indivíduos são encontrados, ou seja, elas têm se apresentado como habitat ideal e garantidoras da sobrevivência da fauna e flora. "O monitoramento mostra ainda que a situação é mais confortável quando há áreas preservadas ligadas umas às outras. A quantidade de animais por quilômetro quadrado é maior e a chance de aumento populacional é muito grande", diz ele.
Essa informação indica, entre outros direcionamentos, que quando as unidades conservadas são contíguas o nível de preservação da biodiversidade é bem maior. "Trata-se de excelente indicativo para a gestão de áreas protegidas e para desenvolvimento de pesquisas mais vinculadas às demandas da administração das UCs," afirma Rodrigues.
Nesse caso, inclusive, um dos caminhos indicados pelas espécies detetives, acrescenta o pesquisador, é a criação mais adequada de corredores ecológicos. "Com isso, aumenta-se a viabilidade populacional, a recuperação das espécies e diminui o risco de extinção devido à aleatoriedade demográfica."
Mesmo com todas essas possibilidades, o professor assinala que há quem aponta efeitos negativos na implementação desse tipo de medidas. Entre os argumentos nesse sentido estão os que indicam maior facilidade de propagação de incêndios, aumento de espécies exóticas, proliferação de doenças e diminuição da viabilidade genética. Contudo, Flávio Rodrigues refuta, "vários dados empíricos mostram a viabilidade, o lado bom dos corredores, e não há nada que prove os efeitos negativos."
No mar é mais difícil - Essa abundância de informações e tão certeira metodologia não se repetem quando o campo de pesquisa é a imensidão dos mares e oceanos, conforme destacou, no mesmo evento, a coordenadora de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade Marinha do ICMBio, Mônica Brick Pires. "O nível de dificuldade em relação ao mar é muito grande, porque em geral as pessoas acham que ele está sempre bem. Não é como uma floresta que você nota facilmente o desmatamento e degradação," comenta.
Não obstante, é inegável, de acordo com Mônica, que a pesca é a maior ameaça à preservação da vida marinha. Nesse universo, como ela explica, a própria criação de peixes em viveiros contribui indiretamente por causa do aumento da captura na natureza. Isso porque geralmente a produção de alimentos para a engorda e o estabelecimento de matrizes dependem do pescado do mar. "Acrescente-se a esses problemas as mudanças climáticas, a poluição e a introdução de espécies exóticas," revela. Outra consequência destruidora dos animais marinhos é a pesca acidental, aquela em espécies diferentes do objetivo dos pescadores também são capturadas.
Outros riscos à preservação dos peixes, como relata a pesquisadora, são a falta de informação e a intensa exploração. "As pessoas pensam que, por causa do tamanho, o mar é infinito. Ao contrário disso, ele é muito vulnerável," afirma Mônica Pires. Apesar desse cenário, há algumas medidas que podem garantir a conservação marinha. "Diminuir entre 50% e 70% a quantidade barcos e redes, criar áreas protegidas, revisar a lista de espécies ameaçadas e, entre outras coisas, desenvolver pesquisas sobre medidas mitigatórias."
O sucesso das áreas protegidas é notável indicativo de que é um dos melhores caminhos para garantir a sobrevivência no mar. Conforme dados revelados pela pesquisadora, nesse ambiente há aumento das espécies, estabilidade dos indivíduos, aumento no tamanho e na idade, produção de ovos, larvas e juvenis, além da proteção de animais raros e ameaçados. "Até o rendimento da atividade pesqueira aumenta, protege a pesca do colapso e proporciona diversidade econômica, como ecoturismo, por exemplo." E essa política, nas palavras dela, é de baixo custo, método simples e fácil de fiscalizar.
"Os oceanos são nossa herança," foi com essa frase que Mônica Pires concluiu a palestra que ministrou no I Seminário de Pesquisa e Iniciação Científica do ICMBio. Ela também deu algumas dicas aos consumidores de pescados. "Procure saber se o peixe que você come veio da pesca legalizada, se a pesca é seletiva ou acidental e pressione os políticos para que possam criar unidades de conservação marinha."
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