VOLTAR

Os desafios da imprensa (III)

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Schirley Luft*
17 de Mai de 2005

Compromisso com a verdade:

Independente de quais sejam os interesses do governo é preciso que a imprensa esteja vigilante diante dos acontecimentos, buscando manter informada a opinião pública, muito embora tenhamos pleno conhecimento das dificuldades enfrentadas para coberturas no interior de Estado, como o difícil acesso aos fatos e às fontes - muitas têm receio de se declararem por medo de retaliação ou perseguição por parte de grupos radicais, de ambos os lados, além dos altos investimentos necessários.
Se tomarmos a História como testemunha diante dos projetos governamentais para a Amazônia, durante as últimas décadas, tudo leva a crer que a Raposa Serra do Sol poderá se transformar num grande fracasso. Modelos alternativos de desenvolvimento dependem de mudança de mentalidade, atualização cultural, etc. E isso nos levam a uma pergunta inevitável.
Como implantar projetos de desenvolvimento sustentado se estes dependem de políticas de longo prazo como, por exemplo, levar a educação até as comunidades envolvidas? Leonel Brizola - um dos mais incansáveis defensores da educação no Brasil não hesitava em afirmar: "Não vai haver país desenvolvido sem brasileiro desenvolvido que possa promover o seu desenvolvimento".
Isso significa que, sem o envolvimento do Ministério da Educação, das secretarias de educação e de equipes multidisciplinares nos projetos de desenvolvimento para o estado de Roraima, voltaremos a estaca zero, e as promessas do governo federal correm o risco de ficarem no plano do discurso e do oportunismo político/ideológico.
Se isso ocorrer, é provável que a imprensa tenha que retornar a Raposa Serra do Sol, no futuro, para relatar mais um fracasso das políticas públicas na Amazônia; nesse caso, o extermínio de índios isolados em Roraima - em plena Era da Informação e tecnologias digitais, e com eles, o desaparecimento de uma das maiores riquezas culturais/antropológicas do País, talvez do mundo, e de arrozeiros moribundos, e de famílias inteiras à espera de indenização.
Com certeza, este seria o maior desafio para a imprensa regional que sempre defendeu uma Agenda Positiva para o estado de Roraima.
*Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP; professora do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima. Email: sluft@uol.com.br .

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.