JB, Internacional, p. A10
18 de Mai de 2004
Orgão da ONU defende transgenia
ROMA - As plantações de alimentos geneticamente modificados poderiam ser uma resposta à fome no mundo, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, pela sigla em inglês).
O polêmico documento foi divulgado dias após a gigante companhia agro-química Monsanto, dos EUA, anunciar que não produzirá trigo geneticamente modificado. A decisão foi uma resposta à rejeição dos consumidores.
Com o crescimento populacional do mundo, que deve ter mais 2 bilhões de pessoas em 30 anos, estas colheitas poderiam ajudar a suprir as necessidades de alimento, de acordo com a FAO.
O relatório ressalta que em vez de aumentar o valor nutricional de plantações como arroz, batata e mandioca, a indústria desenvolveu quatro tipos principais de produtos geneticamente modificados: algodão, milho, canola e soja, que têm maior valor comercial.
Segundo o documento, os pobres não estão usufruindo porque as colheitas não são favorecidas pelos US$ 3 bilhões gastos por ano pelo mercado privado, em pesquisas na área.
A FAO indica que Brasil, China e India - que têm os programas públicos de pesquisa agrária mais completos dos países em desenvolvimento - gastam, cada um, menos de US$ 500 milhões por ano com tais iniciativas.
Mas a organização adverte que a biotecnologia não é uma solução para todos os males e deve se concentrar nas necessidades dos países em desenvolvimento.
- A fome não é um problema que precisa de soluções técnicas, depende de vontade política e de medidas apropriadas - disse Doreen Stabinsky, do Greenpeace.
Atualmente, seis países concentram 99% do total de plantações geneticamente modificadas: Brasil, Argentina, Canadá, China, África do Sul e EUA. Em muitos outros, a segurança alimentar e o medo dos riscos ambientais impediram a proliferação deste tipo de colheita e a União Européia proibiu sua importação em 1998.
JB, 18/05/2004, Internacional, p. A10
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