A Crítica, Cidades, p. C1
12 de Nov de 2003
Operação treina para a guerra
A "Operação Ajuricaba", um exercício simulado de "guerra" que visa o treinamento de 3 mil soldados na região amazônica já começou. Embora a "guerra" propriamente esteja prevista para ser deflagrada no dia 14, toda a logística (mobilização de equipamento, homens e material) já está em execução, segundo informou ontem o chefe da 5a Seção do Comando Militar da Amazônia (CMA), capitão Márcio Brasileiro.
Borba, Nova Olinda do Norte e o entorno de Manaus são algumas áreas onde haverá combate entre as forças de resistência, compostas por soldados do Amazonas, num total de 1,5 mil homens, contra as tropas invasoras, representadas por 1,5 mil integrantes de brigadas do Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso e Pernambuco. São duas forças em contradição, diz o capitão Márcio
Brasileiro, explicando que uma delas (a de defesa do território) é inferior tecnologicamente à força de ataque. No caso brasileiro, a estratégia a ser utilizada no treinamento é a da resistência. Na hipótese, mesmo que remota, de uma invasão ou de um confronto com grandes potências, a tática de resistência é o modo como o Brasil poderá se defender, e este é o objetivo da operação. Os militares brasileiros têm como trunfo o fato de conhecer bem a selva e assim poder atacar no momento certo, surpreendendo os invasores, segundo disse recentemente, em entrevista à A CRÍTICA, o comandante militar da Amazônia, general-de-Exército Cláudio Barbosa de Figueiredo.
Os 3 mil homens deverão ser divididos em uma extensa faixa de terras de 600 mil quilômetros quadrados (aproximadamente o tamanho de Minas Gerais ou do Iraque), englobando o Norte do Amazonas e do Pará e o Sul de Roraima e Amapá.
Como se trata de uma "guerra" simulada, nenhuma estratégia ou localização exata pode ser divulgada, mas o capitão Márcio Brasileiro adiantou, ontem, que amanhã haverá um salto operacional de pára-quedistas, que poderá ser acompanhado pela imprensa. Esta será informada 24 horas antes para relatar os primeiros momentos da "guerra".
Helicópteros e aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) participarão da operação com apoio logístico no transporte de homens e equipamentos, além da ação de lançamento dos pára-quedistas. Toda a operação está avaliada em R$ 1,1 milhão, segundo informações fornecidas pelo Comando Militar da Amazônia
Confronto será este mês
0 ponto culminante da Operação Ajuricaba (nome que homenageia o chefe da tribo dos índios Manaus, Ajuricaba, que resistiu e expulsou os invasores portugueses) será entre os dias 14 e 21 deste mês, com o confronto (guerra simulada) entre as forças que serão treinadas.
0 treinamento será coordenado pelo Comando de Operação Terrestre, a partir de Brasília, contando com forças de todo o Comando Militar da Amazônia (CMA).
Segundo informa o comandante da ia Brigada de Infantaria de Selva, general Paulo Studart Filho, o CMA será responsável pelo emprego das forças terrestres do Exército em toda a Amazônia. A partir da montagem do exercício, as tropas serão distribuídas em duas forças: uma representando um país que tentasse invadir a Amazônia e outra defendendo a soberania da região.
"0 objetivo desta manobra é treinar nossas forças militares na chamada estratégia de resistência. É uma experiência doutrinária que o Exército Brasileiro está levando a efeito, no sentido de dotar as forças (na Amazônia, em especial) de meios para enfrentar um invasor muito mais forte e com tecnologia mais avançada que a nossa", declarou à agência Estado.
A partir do dia 14, portanto, haverá a guerra propriamente dita. "Seria a guerra que esperamos nunca acontecer, mas para a qual nos preparamos em tempo de paz", conclui o general Paulo Studart Filho.
A Crítica, 12/11/2003, Cidades, p. C1
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