Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Natacha Wogel
30 de Nov de 2005
A Fundação Nacional do Índio (Funai) alega conhecer a situação de risco que povos ainda não identificados vivem na Terra Indígena Rio Pardo, na divisa entre Mato Grosso e Amazonas, há mais de cinco anos. Segundo indigenistas do órgão em Mato Grosso, a Operação Rio Pardo teve início a partir de diversas denúncias já apresentadas pela Funai sobre o processo de expulsão que os índios vêm sofrendo pela ação de exploradores dos recursos naturais.
"Essa é uma região onde o exploradores chegaram muito antes do que a Funai e até mesmo do que as estradas. Como eles não se ativeram ao território de colonização, no caso Colniza, à medida em que foram entrando, perceberam a presença do índio, o que significou um entrave para a atividade. Dessa forma, os povos foram sendo cada vez mais escorraçados por madeireiros, fazendeiros, grileiros, de forma a se sentirem hoje extremamente acuados e, sabe-se lá, evitando inclusive um contato", avaliou um dos dirigentes da Funai em Cuiabá, Ariovaldo José dos Santos, um dos participantes da 2ª Conferência de Meio Ambiente de Mato Grosso.
Para Santos, o momento é de uma ação mais contundente de proteção do grupo indígena, que pode ser da linhagem tupi kawahib, principalmente quanto à demarcação da área que deve ocupar. "Com a área já interditada, é importante agora definir o espaço de uso dos índios, o que necessariamente não precisa ser in loco, mas através de georeferenciamento e outras estratégias. Com a fundamentação do uso e da ocupação da área, comprovando se toda ela é ou não vital para eles, é possível trazer algum tipo de segurança desde que haja uma ação permanente do governo. Porque os exploradores voltam", afirmou o indigenista.
De acordo com o coordenador do setor de Índios Isolados da Funai, Sydiney Possuelo, o trabalho de tentativa de identificação dos povos da região do Rio Pardo começou em 1988.
Desde então, nenhum contato foi feito com eles, apenas uma aproximação. O órgão, apostando na possibilidade de serem de origem tupi, já levou outros índios que falam línguas dessa linhagem para tentar o contato.
Possuelo acredita que o grupo todo seja de apenas 15 pessoas remanescentes. "Temos que nos ater à segurança deles e tentar fazer o contato o quanto antes para protegê-los dos invasores. Para isso, estamos com 10 pessoas concentradas em fazer a aproximação", informou Possuelo.
Para o Ibama, a situação de exploração indevida da área indígena foi salientada pelas operações "Curupira" e "Setembro Negro", quando iniciou uma ação conjunta de diversas entidades do poder público nas três esferas de atuação em busca de grileiros. "Foi um conjunto de informações, bem como de ações estratégicas, do Ibama e de outros órgãos, para chegarmos nessa operação. Neste momento, precisamos buscar e punir os responsáveis pela ação direta e descobrir por onde passa o produto extraído. Além disso, outra necessidade é criar uma ação permanente ali, através das bases operativas formadas pelos governos federal, estadual e municipal", indicou o gerente do órgão em Mato Grosso, Paulo Maier.
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