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Operação no Rio Madeira

CB, Brasil, p. 11
30 de Out de 2007

Operação no Rio Madeira
De surpresa, PF prende 10 suspeitos de extração ilegal de ouro em Rondônia. Vinte e seis balsas são apreendidas em quatro áreas

Edson Luiz
Da equipe do Correio

A Polícia Federal começou ontem uma megaoperação para retirar centenas de garimpeiros que estão extraindo ouro ilegalmente no Rio Madeira, em Rondônia, onde já foi despejado mais de 1t de mercúrio. Em um dos quatro trechos percorridos pelos agentes da PF foram presas 10 pessoas, apreendidas 26 balsas e 1kg de ouro puro. A operação não tem data para terminar e deve ser deslocada para outros garimpos da região.

A ação da PF está sendo realizada entre Porto Velho, a capital do estado, e o município de Abunã, na divisa com o Acre. Batizada de Iara - deusa da água doce para os índios - a operação foi feita de surpresa. "Não pedimos nenhum mandado de prisão. O objetivo foi fazer as prisões em flagrante", afirma o superintendente da PF em Rondônia, Sérgio Fontes. Segundo ele, os policiais foram divididos para atuar em quatro áreas, onde estão os garimpos de ouro, e só sairão após a apreensão de todas as balsas.

A garimpagem de ouro no Rio Madeira é feita de forma quase artesanal, o que provoca graves danos ao meio ambiente. O minério é extraído com o uso de dragas e jatos de água, que são lançados contra o barranco de areia, onde está o ouro. Depois, o material retirado é lavado em uma espécie de esteira e numa peneira. Nessa etapa, adiciona-se o mercúrio, levado depois pelas águas do próprio rio.

"Nossa investigação indica que pelo menos uma tonelada de mercúrio foi jogada no rio", diz Sérgio Fontes. Mas o dano ambiental não é o único problema da região. Com a formação dos garimpos, surgiram em Rondônia os problemas sociais, como a prostituição, tráfico de drogas e de armas, uma questão que já preocupa as autoridades estaduais e do governo federal.

Não é a primeira vez que a região enfrenta problemas com garimpos. No final dos anos 90, pelo menos mil pessoas retiravam ouro artesanalmente na área do Abunã, uma vila situada às margens da BR-364 que cresceu graças aos garimpeiros. Naquele período, houve um aumento na criminalidade em Rondônia por causa da chamada febre do ouro. Muitos garimpeiros eram encontrados mortos afogados no rio. Alguns assassinados, outros vítimas das péssimas condições de trabalho.

A PF não tem informações sobre o número de garimpeiros que estão hoje no Rio Madeira, mas calcula ser uma quantidade muito grande. "Num sobrevôo que fizemos avistamos muitas balsas e acreditamos que exista muito mais", afirma Fontes. "Só em uma primeira área da Operação Iara, foram apreendidas 26 delas, por isso achamos que o número é muito maior", acrescenta o superintendente. Por falta de comunicação na região, a PF só terá o primeiro balanço parcial da operação a partir de hoje.

CB, 30/10/2007, Brasil, p. 11

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