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Operação na Raposa e o avanço do garimpo ilegal nas comunidades indígenas

Folha BV - www.folhabv.com.br
Autor: Jessé Souza
26 de Mar de 2026

A morte por cirrose hepática tornou-se um problema sério nas comunidades indígenas de Normandia, especialmente na região da Raposa e adjacências, onde o alcoolismo se estabeleceu. Assim como o tráfico de drogas também cresceu a partir da fronteira com a Guiana. A desagregação familiar avançou na mesma medida dos conflitos comunitários provocados a partir da chegada de pessoas estranhas, entre foragidos, faccionados e suspeitos de toda estirpe, inclusive do país vizinho.

Esse é o cenário das comunidades indígenas tomadas pelo garimpo ilegal que se ampliou nos últimos anos, no que pese as seguidas operações militares e policiais realizadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, a mais recente desencadeada esta semana pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

O alvo da operação é a Serra do Atola, nas proximidades da Comunidade da Raposa, que passou a ficar dividida entre os indígenas que não só apoiam o garimpo ilegal, como também passaram a explorar a atividade legal, e os que são contra a invasão garimpeira devido aos sérios problemas que passaram a atormentar a vida das famílias das comunidades indígenas, que ficam com os estragos ambientais, violência, tráfico de droga, alcoolismo e a pobreza, enquanto o dinheiro da exploração ilegal do minério vai embora.

A atividade ilegal passou a ser alvo preferencial quando foi descoberto no processo para o beneficiamento do ouro estava sendo feito com uso de cianeto, uma substância química altamente tóxica que representa graves riscos para o ser humano e ao meio ambiente. Inclusive, o cianeto foi usado com arma química pelos nazistas durante o Holocausto na 2ª Guerra Mundial, que resultou no genocídio de aproximadamente 6 milhões de judeus

Uma ação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Ibama, em fevereiro desse ano, comprovou que uma fazenda no Município do Bonfim estava sendo usado para o processamento de minério com cianeto, a cerca de 2km dos limites da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, nas proximidades do km 130 da BR-401. O material era extraído da terra indígena e transportado até o local para o beneficiamento.

Desde 2020 outras regiões na Raposa Serra do Sol eram cobiçadas pelos mantenedores do garimpo ilegal, com destaque ao Município de Uiramutã, as quais eram alvos de um projeto de instalação do garimpo. Empenhado em articular esse projeto entre os indígenas estava o senador Chico Rodrigues, que chegou a ir a uma reunião na Região das Serras, em março daquele mesmo ano, para debater a legalização do garimpo.

No calor das discussões com as autoridades, as lideranças indígenas ofereceram ao parlamentar um copo com água com mercúrio para que o senador bebesse a fim de comprovar que esse metal seria inofensivo, conforme ele argumentava. Foi a sacada definitiva para encerrar o acalorado debate. No entanto, enquanto o governo da época fazia vistas grossas, com apoio dos políticos locais, o garimpo avançou e se estabeleceu por toda fronteira com a Guiana, até a chegada do cianeto.

*Colunista

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