O Globo, O País, p. 18
07 de Jul de 2009
Operação flagra garimpo ilegal no Rio Paraíba
Seis balsas são apreendidas e uma pessoa é detida em ação realizada pelo governo federal no município de Carmo
O Ministério do Meio Ambiente, com o apoio da Secretaria estadual do Ambiente e da polícia, desmontou nesta segunda-feira o esquema de uma empresa de garimpo ilegal de ouro no Rio Paraíba do Sul, na altura de Carmo, que envolvia seis balsas - quatro equipadas com bombas de sucção e duas usadas como dormitório. A ação, batizada de Operação Bracelete, contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O representante da empresa Melo Mineração, Jorge Bolívar Melo, foi autuado em flagrante e conduzido à delegacia de Carmo. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, ele não tinha licença de lavra.
Minc diz que lucro mensal era de R$ 210 mil por balsa
O Ibama abriu inquérito para apurar o crime. O infrator está sujeito à detenção de até um ano - que pode ser convertida em serviços comunitários - e multa de até R$ 50 milhões.
Minc disse que a operação foi preparada por quatro meses e contou com a participação de cerca de 50 pessoas do Ministério do Meio Ambiente, da Secretaria Estadual do Ambiente, do Ibama, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Grupamento Aero-marítimo (Gam). A empresa será obrigada a recompor o rio, a fauna e a flora da região. Terá ainda de se responsabilizar pela saúde dos trabalhadores, já que a atividade oferece risco de contaminação.
Segundo o ministro, o lucro da mineradora era enorme:
- Os garimpeiros tiravam cerca de 100 gramas de ouro por dia do rio, o que significava um lucro médio de R$ 210 mil por balsa, por mês. Tinham um esquema profissional, com o apoio de voadeiras. O representante me apresentou autorizações de pesquisa, mas haja tese de doutorado para permanecer dois anos operando no mesmo rio. Eles não tinham licença para lavra.
Segundo o perito do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) Fernando Aires, a empresa estaria usando mercúrio para facilitar a identificação do ouro. O metal, de uso proibido, pode causar danos ao meio ambiente e à saúde do garimpeiro.
Numa das balsas, estavam 11 trabalhadores
A operação, coordenada pelo coronel José Maurício Padrone, assessor especial do ministério, começou às 3h, quando o Bope fez o cerco à Fazenda Estrela Dalva, que era usada como base pelos garimpeiros. Numa das balsas, estavam 11 trabalhadores, todos de outros estados, além de peneiras, roupas de mergulho, maçaricos, extintores, cuias e outros equipamentos usados na lavra.
O Ministério do Meio Ambiente vai entrar com pedido judicial para desapropriação das balsas apreendidas com o objetivo de utilizá-las em iniciativas ambientais
O Globo, 07/07/2008, Rio , p, 18
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