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Operação contra comércio de madeira

CB, Brasil, p. 12
10 de Jun de 2006

Operação contra comércio de madeira

Hércules Barros
Da equipe do Correio

Uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em cinco estados brasileiros prendeu ontem 34 pessoas acusadas de envolvimento com o comércio ilegal de madeiras. Três servidores do Acre - dois fiscais do Ibama e um do Instituto de Meio Ambiente do Estado do Acre (Imac) - estão entre os detidos. Os funcionários são suspeitos de terem facilitado um esquema de fraudes para extração e transporte ilegal de madeira por meio do uso irregular de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs). 0 documento acompanha toda a carga considerada legal de madeira e de outros produtos extraídos da região amazônica.
Denominada Novo Empate, em alusão à luta do ambientalista Chico Mendes contra o desmatamento na Amazônia, a operação cumpriu 74 mandados de busca e apreensão no Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e São Paulo. Trata-se da nona operação que envolve mobilização de agentes da PF e do Ibama. "Agora são as instituições públicas que estão fazendo o empate das práticas ilegais", ressaltou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A operação durou 10 meses e teve a participação de cerca de 310 policiais, encarregados de efetuar as prisões e cumprir os mandados de busca e apreensão. 0 grupo preso ontem vai responder criminalmente por falsidade ideológica, estelionato e uso de documento falso, entre outros crimes.
Envolvimento explícito
0 diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, lembrou que as prisões preventivas foram requeridas à justiça e feitas com a anuência do Ministério Público porque o envolvimento das pessoas acusadas é explícito. Ao contrário das outras operações quando alguns envolvidos foram soltos pouco tempo depois, Paulo Lacerda espera que na Novo Empate, os acusados permaneçam presos até o final do processo. "Temos de perguntar agora ao Ministério Público e ao judiciário", diz.
No esquema fraudulento, proprietários de terras e empresas do Acre, com direito a explorar madeira, faziam plano de manejo e o submetiam ao Ibama. Com o plano aprovado, tinha direito a uma cota de corte de árvores. A autorização para desmatamento permitia ao requerente solicitar ao Ibama Declaração de Venda de Produto Florestal (DVPF) e da ATPF. As ATPFs eram vendidas em branco à madeireiras de Rondônia por cerca de R$ 4 mil. As empresas exploravam, ilegalmente, áreas de reservas ambientais e transportam a madeira, por meio de fraude no Sistema de Contigenciamento de Madeiras (Sismad) de controle das ATPFs.

CB, 10/06/2006, Brasil, p. 12

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