CB, Mundo, p. 24
22 de Mar de 2006
ONU alerta para escassez de água
A utilização exagerada da água na agricultura é a grande ameaça às reservas do planeta, alertou ontem o relatório anual das Nações Unidas (ONU) que avalia a situação hídrica do mundo. O documento, denominado Desafios para Águas Internacionais: Avaliação Regional em uma Perspectiva Global, também concluiu que a pesca indiscriminada é um problema para a integridade dos oceanos. O trabalho foi apresentado durante o IV Fórum Mundial da Água, na Cidade do México. O encontro termina hoje, Dia Mundial da Água, depois de 72 horas de debates.
"Diminuição no nível dos rios, aumento da salinidade de estuários, perda de peixes e de plantas aquáticas, além de reduções em sedimentos na costa, deverão crescer em muitas áreas até 2020", explica no relatório o Programa Ambiental da ONU. E conclui: "Isso se transformará em perdas em fazendas, em insegurança alimentar e danos à pesca, junto com crescimento da desnutrição e doenças".
Gotthilf Hempel, professor de biologia e oceanografia da Universidade Kiel, da Alemanha, e pesquisador responsável pelo estudo, foi mais pessimista em suas declarações. "A luta por água será mais dramática que a luta por petróleo a longo prazo. Para petróleo, temos substitutos. Para água, não", profetizou.
O relatório afirma que cerca de dois terços da água doce do mundo são consumidos por fazendas, e atenta para a pesca com explosivos. A prática pode produzir um retorno 200 vezes maior que a pesca comum, mas a população de peixes é dizimada e tende a acabar. O trabalho também cita a venda de água a preços mais altos. Segundo o texto, isso serviria para reduzir a demanda pelo líquido e diminuir a poluição de fontes de água doce como rios. "Há muitas mensagens importantes contidas neste estudo", disse Klaus Toepfer, diretor-executivo do Programa de Meio Ambiente da ONU (Unep). "O nosso fracasso coletivo em avaliar os bens e serviços vindos de águas internacionais e em valorizar os benefícios com uma visão estreita, em favor de poucos, está nos empobrecendo", justificou.
Fórum
O IV Fórum da Água começou na segunda-feira e envolve autoridades de 140 países. Ontem, mais de 120 ministros se reuniram para discutir a questão e concluíram que a água é um direito universal, e não um bem econômico. Os representantes governamentais concordaram que é preciso adotar medidas urgentes caso se pretenda cumprir a meta do milênio que diz respeito à sustentabilidade ambiental. As Nações Unidas se comprometeram a reduzir pela metade a proporção de pessoas que não possuem acesso à água potável até 2015, entre outras medidas, como reduzir a pobreza e a mortalidade infantil.
"Os organismos governamentais têm a obrigação e a responsabilidade de oferecer água segura e limpa para toda a população", declarou o secretário mexicano do Meio Ambiente, José Luis Luege. Já o diretor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Koichiro Matsuura, afirmou que "a técnica por si só não pode terminar em soluções viáveis" para os problemas derivados da água. Segundo ele, "é preciso que as diversidades cultural e biológica sejam devidamente levadas em conta na gestão e no controle da água".
CB, Mundo, 22/03/2006, p. 24
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