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ONGs vão discutir com ministério ações de combate ao desmatamento

Radiobrás
12 de Fev de 2008

ONGs vão discutir com ministério ações de combate ao desmatamento

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

Organizações não-governamentais (ONG´s) que atuam em defesa da preservação da Amazônia vão passar a discutir com o Ministério do Meio Ambiente ações permanentes de combate ao desmatamento.

"Nos dispusemos a trabalhar juntos para fazer uma avaliação do plano de combate ao desmatamento. A participação da sociedade pode reforçar aspectos de sua construção e aplicação", enfatizou o coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da WWF-Brasil, Mauro Armelin.

Em um encontro realizado hoje (12) entre representantes da sociedade civil e governo, o coordenador do Núcleo Amazônia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima, voltou a afirmar que não existirá anistia para desmatadores. A assessoria do MMA informou que o objetivo foi esclarecer o posicionamento da pasta em relação ao cumprimento do Código Florestal. De acordo com participantes, os encontros passarão a ser freqüentes.

"Essas reuniões devem se tornar mais comuns, mensais pelo menos, e não apenas em momentos emergenciais", informou Adriana Ramos, coordenadora de iniciativa amazônica do Instituto Sócio-Ambiental (ISA).
Ela considerou "positivo" o governo ter assegurado o cumprimento do Código Florestal e destacou outros benefícios que encontros permanentes de representantes do MMA e das ONGs podem gerar.
"O primeiro objetivo é intercâmbio de informação para que as organizações ambientais saibam os passos do MMA, de forma a não serem surpreendidas por notícias na imprensa que não reflitam necessariamente o pensamento do ministério", disse em alusão à suposta proposta de anistia aos desmatadores, que acabou desmentida pela ministra Marina Silva.
A WWF-Brasil avalia que já existem no Código Florestal aternativas para trazer áreas ilegais para a legalidade. Uma delas seria a compensação da reserva legal em outra área. "Se ele [fazendeiro] não pode aumentar a área florestada na sua propriedade, pode adquirir outra área e tratá-la como servidão florestal, compensando o que ele não tem na primeira. É algo previsto em lei e pode ser executado", explicou Armelin.
O ISA entende que a solução para o controle eficaz do desmatamento no Brasil virá a médio e longo prazo, mas não depende apenas da área ambiental do governo. "É uma questão nacional, que tem que ser assumida pela sociedade e por todos setores de governo", defendeu a coordenadora do instituto, ao alegar que faltam na região amazônica ações amplas de fomento à produção sustentável da agricultura familiar e de extrativistas.
O diretor do Programa Amazônia da Conservação Internacional do Brasil, Adrian Garda, considera que as ações de combate e controle do desmatamento já anunciadas pelo MMA não serão suficientes se não forem acompanhadas da implantação de políticas de compensação para quem ajudar a manter a floresta de pé.

"Um dos instrumentos é o crédito de carbono. Você evita o desmatamento em certa região e vende os créditos no mercado internacional, com o dinheiro sendo distribuído para os municípios e comunidades. Então os donos das propriedades e os pequenos produtores vão ganhar algum tipo de benefício", argumentou Garda.

Radiobrás, 12/02/2008

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