VOLTAR

ONGs se unem para tentar barrar asfaltamento da BR-163

24 Horas News-Cuiabá-MT
07 de Out de 2003

Organizações Não-Governamentias que atuam na Bacia do Rio Xingú, entre Mato Grosso e Pará, estão se mobilizando para tentar barrar o asfaltamento da rodovia BR-163, que liga o Norte de Mato Grosso com o Porto de Santarém, no Pará. A proposta vem sendo discutida desde agosto e agora deverá ser tratada em vários pontos dos dois estados. A idéia é avaliar a oportunidade de conjugar esforços voltados a uma plataforma comum de interesses relacionados à sustentabilidade da bacia e das áreas adjacentes, com foco principal na BR-163.
A Bacia do Rio Xingu é uma das maiores bacias hidrográficas do país, com 51 milhões de hectares, e abrange cerca de 50 municípios de dois estados. Ela dispõe de uma diversidade de ambientes representados pelos cerrados, floresta amazônica e por ecossistemas de transição protegidos, em grande parte, pelas 28 terras indígenas. O Rio Xingu nasce no Norte do Mato Grosso, sendo que seus principais formadores, os rios Suyá-Miçu, Culuene, Curisevo, Ronuro, Arraias, irrigam uma vasta região equivalente a 35% da área total da bacia.
As ONGs, na verdade, consideram fundamental discutir e propor modelos de desenvolvimento regional que atendam as necessidades das populações locais e garantam a preservação de áreas, visando a sustentabilidade atual e futura da bacia do rio Xingu. O processo de ocupação e desenvolvimento da região, com base nos modelos atuais, tem criado um caos fundiário e inúmeros conflitos na disputa pela terra, ameaçando a integridade dos territórios indígenas e comprometendo a sustentabilidade ambiental e a qualidade dos recursos hídricos: a região das nascentes do Xingu já perdeu mais de um terço de suas florestas e cerrados e muitas são as áreas de nascentes degradadas.
O Instituto Socioambiental [ISA], um dos mais influentes ONGs da região centro-Norte do Brasil, considera que 'o asfaltamento em curso da BR-163 vem atender, sobretudo, aos interesses dos grupos responsáveis pela expansão da soja, fomentado pelos governos dos Estados do Mato Grosso e Pará e pelo próprio Governo Federal, que desejam que essa rodovia esteja em condições de tráfego para escoamento da produção de soja, via porto em Santarém, no menor prazo possível. Mesmo reconhecendo os benefícios que esta obra trará aos municípios da região, o impacto será grande e acentuará os desmatamentos em toda a região".
A ONG sustenta que a realização dessa obra não pode prescindir de uma ação dos governos, no sentido de assegurar que o ordenamento regional contemple os interesses dos movimentos sociais, das populações indígenas, e a conservação dos recursos naturais, sobretudo, da qualidade da água. Participam da ação as ONGs Movimento pela Defesa da Transamazônica-Xingu -MDTX, Instituto Centro Vida- ICV, IPAM e WWF.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.