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ONGs criticam plano brasileiro de mudanças climáticas

G1.globo.com
26 de set de 2008

ONGs criticam plano brasileiro de mudanças climáticas
Para organizações, faltam metas claras ao documento.
Plano estará disponível para consulta pública na próxima segunda-feira (29).

Do Globo Amazônia, em São Paulo

A versão prévia do Plano Nacional sobre Mudança do Clima não agradou organizações não-governamentais que acompanham o assunto. O documento, que visa reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, foi apresentado na última quinta-feira (25), em Brasília, pelo Governo Federal.

A principal crítica feita pelas ONGs é a falta de metas bem definidas. "Um plano sério em qualquer tema ou área deve ter objetivos e ações que possam ser mensuráveis, verificáveis e relatáveis", diz nota publicada pela Fórum Brasileiro de ONGs e Movimento Sociais (Fboms).

"O plano não diz, por exemplo, a quantidade de emissões carbono que será evitada caso seja implementado e também não menciona fundos para contenção de desmatamento, embora o governo da Noruega tenha anunciado há duas semanas a doação de recursos para o Fundo Amazônia", acrescenta um documento lançado pelo Instituto Socioambiental (ISA), organização que atua junto a comunidades tradicionais brasileiras.

Para o Greenpeace, faltam metas mais duras contra o desmatamento na Amazônia: "[O plano] propõe redução sustentada das taxas de desmatamento até que se atinja o desmatamento ilegal zero, mas não se compromete com o fim do desmatamento por completo", aponta relatório publicado pela instituição.

O documento do ISA também afirma que o papel do desmatamento no aquecimento global não foi admitido por completo: "O CFC retoma o papel de vilão em lugar do desmatamento, responsável por 75% das emissões brasileiras de carbono."

Geração de energia

Outro ponto muito criticado é o das mudanças na matriz energética brasileira. "Não é possível manter a participação atual de mais de 80% das [energias] renováveis na matriz energética brasileira, já que o cenário do Ministério das Minas e Energia indica que até 2050 a contribuição das renováveis será de apenas 50%", ressalta o Greenpeace.

A versão prévia do plano estará disponível para consulta pública a partir da próxima segunda-feira (29), e poderá receber sugestões da sociedade civil por 30 dias. A expectativa é de que o documento, finalizado, seja apresentado na próxima Conferência do Clima da ONU, em dezembro, na Polônia.

As três instituições que lançaram notas com críticas à versão prévia do plano - ISA, Greenpeace e Fbons - fazem parte do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, criado pelo Governo Federal em 2000 para discutir soluções para a diminuição das emissões dos gases de efeito estufa.

G1.globo.com, 26/09/2008

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