JB, Cidades, p.A16
22 de Jul de 2004
ONG denuncia crime na Lagoa
O Greenpeace denunciou ontem que os deques da Lagoa, reformados pela prefeitura durante o verão, foram construídos com madeira retirada de forma criminal da Amazônia. Segundo os ambientalistas, pelo menos nove metros cúbicos de maçaranduba foram vendidos por uma empresa que teve dois Planos de Manejo Florestal Sustentável - documento essencial para a extração de madeira na Amazônia - suspensos pelo Ibama no ano passado.
Coordenador do Programa Cidade Amiga da Amazônia, Gustavo Vieira contou que começou a desconfiar que a madeira usada nos deques vinha da floresta pelas suas características. A investigação começou pela análise de uma Autorização de Transporte de Produto Florestal (ATPF) enviada pela Dratec Engenharia, empresa que venceu a licitação da prefeitura para fazer a obra.
Segundo Gustavo, a Dratec comprou o material na distribuidora Mademar Rio Madeiras que, por sua vez, teve como fornecedora a Madeireira Urubu, localizada no Pará.
- A Urubu teve os planos de manejo suspensos pelo Ibama devido a uma série de irregularidades, entre elas, a ausência de um comprovante de posse das terras - revela Gustavo, acrescentando que o Ministério Público do Pará investiga a empresa por grilagem. - Por falta de informação, a prefeitura acabou virando cúmplice de um crime ambiental.
Ontem, os manifestantes pregaram faixas e placas em um dos deques da Lagoa e fizeram denúncia à prefeitura. Segundo Gustavo, a ONG vem investigado a origem da madeira há cerca de quatro meses e chegou a entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente sobre o caso.
- Ligamos para a secretaria de e fomos orientados a entrar em contato com a Dratec Engenharia. Ficou claro que a prefeitura desconhece a origem da madeira - afirmou Gustavo.
O secretário Ayrton Xerez, porém, afirmou que o Greenpeace jamais entrou em contato com ele. Segundo Xerez, a prefeitura comprou 450 metros quadrados de madeira certificada pelo Ibama para os deques. O secretário disse que foi a Madeireira Barroso quem forneceu material à Mademar.
- A prefeitura não compra gato por lebre. Cumprimos os critérios técnicos, cobramos dos empreiteiros materiais certificados e exigimos a ATPF. Se há alguma irregularidade no Pará, o Ibama que investigue. Penso que há um espasmo eleitoral - disparou Xerez.
A gerência do Ibama no Rio informou que vai oficiar a secretaria, pedindo informações sobre a procedência da madeira usada nos deques.
JB. 22/07/2004, p.A16
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