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Óleo da Chevron que vazou no Rio ameaça contaminar Baía de Guanabara

OESP, Vida, p. A15
30 de Nov de 2011

Óleo da Chevron que vazou no Rio ameaça contaminar Baía de Guanabara

SERGIO TORRES / RIO

O petróleo que há 23 dias vaza na Bacia de Campos pode atingir o litoral do Rio de forma jamais imaginada pelos especialistas. Trazido do oceano em barcos, o óleo recolhido no mar foi depositado no galpão de uma empresa na Baixada Fluminense. Parte dele escoou por ralos para valas de esgoto que acabam desaguando na já poluída Baía de Guanabara, na altura do município de Duque de Caxias.
"Os responsáveis pela Contecom (empresa subcontratada para armazenar a água oleosa - mistura de água salgada e petróleo) serão autuados. Pode ser mais de um crime ambiental", disse o delegado da Polícia Federal Fábio Scliar.
O delegado citou tês artigos da Lei do Meio Ambiente em que a empresa pode ser enquadrada: causar poluição que possa resultar em danos à saúde ou provoque mortandade de animais ou destruição da flora; ter em depósito substância tóxica em desacordo com as exigências estabelecidas em leis; fazer funcionar estabelecimentos ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais.
Segundo ele, a Chevron, que havia contratado a empresa Brasco Logística Offshore, responsável pela subcontratação da Contecom, "não necessariamente será imputada".
A Contecom foi vistoriada anteontem pela PF. Uma funcionária prestou depoimento e foi liberada após pagar fiança. Ainda não se sabe quanto petróleo escapou para os cursos d'água que seguem rumo aos Rios Sarapuí, Iguaçu e Estrela, totalmente poluídos. O percurso entre a sede da empresa e o ponto em que os rios se encontram com os manguezais da baía é de 5 km.
Indícios. Os registros da empresa indicam que nos dias 21 e 22 o galpão recebeu dois carregamentos, que somavam 80 mil litros de água oleosa, enviados em caminhões pela Brasco. A Contecom trataria a mistura.
O advogado da Contecom, Bruno Rodrigues, disse ontem que não houve vazamento do óleo armazenado na "piscina" do galpão. Ele negou que a água oleosa tenha escorrido pelos ralos. Segundo ele, a empresa não separa água e petróleo. Seria tarefa de outra empresa "parceira".
"A PF está investigando e quer saber o destino do óleo. Só que se complicou nessa história porque a Contecom não trata o óleo, só armazena e repassa. Então, não houve vazamento, isso não existe. Estão falando muitas coisas com base em achismo."
De acordo com a PF, o óleo vazou por ao menos um buraco na barreira de contenção da "piscina", que estava visualmente lotada, apesar de a capacidade ser de 90 mil litros.
Ao ultrapassar a barreira, a mistura escorreu pelo pátio, rumo aos ralos. Dali atingiu as galerias pluviais e as redes clandestinas de esgotos. / COLABOROU FELIPE WERNECK

Secretaria Estadual do Ambiente nega irregularidades

A Secretaria Estadual do Ambiente negou ontem irregularidades no licenciamento da empresa Contecom e afirmou que, após vistoria, técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) "não constataram nenhum despejo de óleo em córrego próximo".
O coordenador da Comissão Externa da Câmara dos Deputados constituída para acompanhar o vazamento da Chevron, deputado Dr. Aluízio (PV-RJ), porém, confirmou a informação da PF após visita à Contecom. "Houve contaminação da rede pluvial de água com óleo. Isso caracteriza crime ambiental."
De acordo com ele, a empresa não está habilitada a trabalhar com água oleosa. "Ela trata óleo contaminado com água, não água contaminada com óleo." / F.W. e S.T.

OESP, 30/11/2011, Vida, p. A15

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