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Ocupações desordenadas agravam crise no Guarapiranga, diz especialista

G1 - g1.globo.com/sao-paulo/noticia
29 de out de 2014

Ocupações desordenadas agravam crise no Guarapiranga, diz especialista
Consultora do Instituto Socioambiental sobrevoou represas.
Qualidade da água também fica deteriorada por conta da poluição.

Do G1 São Paulo

As ocupações de moradia, realizadas de forma desordenada nas regiões de margem da Represa Guarapiranga, contribuem para o agravamento da crise da água em São Paulo. É o que diz a consultora do Instituto Socioambiental, Marussia Whately, que sobrevoou a região do reservatório com a equipe do SPTV.
"A gente tem uma piora da qualidade e na quantidade da água, uma vez que a alteração da bacia hidrográfica, ou seja, tirar a vegetação, colocar ocupação, ou desmatar, leva muita terra pra dentro da represa e faz com que a represa fique mais rasa, como a gente está vendo", comentou Marussia.
Segundo ela, a qualidade da água fica deteriorada por conta da poluição que é lançada à água. "Essas ocupações já existem há bastante tempo. Essa região precisa urgentemente receber saneamento, receber ordenamento, pra que seja uma ocupação que traga menos poluição pra represa", disse.
Transferência dificulta tratamento
O especialista em recursos hídricos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antônio Carlos Zuffo, afirmou que a transferência de água entre reservatórios dificulta seu tratamento. As afirmações foram feitas durante um sobrevoo nas represas mais importantes do Sistema Cantareira.
Zuffo comentou a situação que acontece quando há transferência de água limpa do reservatório Cachoeira para a Represa Atibainha.
"A água chega numa tonalidade e ela cai no braço seco do reservatório Atibainha, e ela vai escurecendo, ela vai ficando barrenta", explica.
"Ela começa a remover o sedimento que tá no fundo, incorporando na água. E essa água mais turva, ela fica mais difícil de tratar porque você tem que remover maior quantidade de sujeira que está na água, ela requer mais produtos químicos pra sua limpeza", disse.
Na represa de Atibainha, localizada entre as cidades de Mairiporã e Nazaré Paulista, o nível d'água já baixou cerca de 15 metros. "Nós podemos ver a marca nos pilares da ponte, na Rodovia Dom Pedro I, que deve ter rebaixado em torno de 15 a 16 metros do nível normal de onde ficariam as águas. Isso multiplicado por quilômetros e quilômetros quadrados do reservatório, imagine o volume que já foi consumido", lamentou Zuffo.
Na represa Jaguarí-Jacareí, imagens mostram obras para retirar água de camadas mais profundas. Zuffo disse que o fundo do reservatório já está próximo ao nível da água.
"Eles estão cavando um canal no fundo do leito, e vocês observam que o braço não entra muito profundo. O fundo do reservatório está muito próximo ao nível da água. Então, mais ou menos uns dois metros, e esse nível da água está caindo. Então, futuramente, a água só vai passar por esse canal que está sendo escavado agora", informou.
O Sistema Cantareira registrou, na manhã desta quarta-feira (29), volume acumulado de 12,7%. Já é adicionada no cálculo a segunda cota da reserva técnica, que representa 10,7 pontos percentuais.
Sem a incorporação da segunda cota do volume morto, o Sistema Cantareira estaria com 2% de sua capacidade total.

G1, 29/10/2014

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/10/ocupacoes-desordenadas-ag…

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