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OCDE vê etanol em alta

OESP, Economia, p. B10
05 de Jul de 2007

OCDE vê etanol em alta
Mas entidade alerta que debate sobre biocombustíveis vai se intensificar

João Caminoto

Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado ontem, prevê que a produção brasileira de etanol deve continuar crescendo a taxas cada vez maiores, atingindo cerca 44 bilhões de litros em 2016, 145% a mais do que em 2006. O trabalho também afirma que o debate sobre o uso de commodities agrícolas para produzir biocombustíveis tende a se intensificar.

'Como a produção de etanol por tonelada de açúcar deve crescer, a cana-de açúcar usada na produção do etanol vai crescer menos em termos relativos, mas, ainda assim, se expandirá 120% nos próximos dez anos', disse o documento, intitulado 'Perspectiva Agrícola 2007-2016'.

O levantamento projeta ainda que os preços dos produtos agrícolas vão continuar subindo nos próximos dez anos, beneficiando as exportações dos grandes produtores dessas commodities, como o Brasil. 'Os atuais preços altos no mercado mundial para muitas commodities agrícolas são causados, em boa parte, por fatores de natureza temporária, como carências na oferta provocadas por secas, e estoques baixos.'

'Mas mudanças estruturais, como o aumento na demanda de matéria-prima para a produção de biocombustível, e a redução de superávits causados por reformas implementadas no passado em políticas no setor agrícola, podem manter os preços acima dos níveis de equilíbrio históricos durante os próximos dez anos.'

O trabalho prevê que os preços de todas as commodities agrícolas vão subir nos próximos dez anos. 'A crescente presença dos mercados da Argentina e do Brasil é impressionante', afirmou. 'Enquanto o crescimento no Brasil é mais concentrado no açúcar, óleos vegetais e carnes, a performance exportadora da Argentina também cobre cereais e muitos produtos laticínios.'

A China, segundo o estudo, deve continuar aumentando sua fatia nos volumes globais de importações de várias commodities agrícolas.

O levantamento observa que os preços mais elevados das commodities agrícolas representam uma preocupação para os países importadores e para as camadas pobres das populações urbanas. Isso, segundo o estudo, deve intensificar o debate sobre a validade do uso dessas commodities para a produção de biocombustíveis.

OESP, 05/07/2007, Economia, p. B10

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