O Globo, Economia, p. 36
23 de Set de 2012
Obras sob gestão de União e diferentes estados
Agência quer administração de projetos unificada
A Agência Nacional de Águas (ANA) defende a criação de um balcão único para negociar a exploração de recursos hídricos nas sete bacias hidrográficas da Amazônia. Cinco delas dependem da gestão de dois ou mais estados, além da União: Xingu, Tapajós, Madeira, Purus e Juruá.
A Bacia do Xingu é administrada pela União, pelo Pará e pelo Mato Grosso. Na Bacia do Tapajós, além da União, os empreendimentos são aprovados pelo Pará, Mato Grosso e Amazonas. Na Bacia do Madeira, a União divide responsabilidades com Acre, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso.
A recomendação faz parte do Plano Estratégico de Recursos Hídricos dos Afluentes da Margem Direita do Rio Amazonas, que acaba de ser finalizado.
- Temos um patrimônio e é preciso discutir modelos integrados de desenvolvimento - afirma João Gilberto Lotufo, diretor da ANA.
O Brasil abriga 12% da água doce do mundo e 72% estão na Bacia Amazônica. O pulso de cheias dos rios influencia um complexo ciclo de vida. A vegetação libera 7 trilhões de toneladas de água por ano na atmosfera e 44% deste fluxo seguem para outras regiões da América do Sul.
Segundo o estudo, na margem direita do Amazonas, a mais visada, estão 180 Unidades de Conservação e 266 terras indígenas, ou 45,8% do total da área. Das unidades de conservação, só 17,3% são de proteção integral, que impede atividade econômica.
No Bioma Amazônia estão mapeadas outras 474 áreas prioritárias para conservação ainda sem proteção legal. Das 154 à direita do Rio Amazonas, 70% são classificadas como de importância biológica extremamente alta e 40 delas unicamente devido aos rios.
O estudo reconhece os impactos das hidrelétricas: "O represamento de um trecho de rio altera o ciclo hidrológico e a dinâmica ecológica".
Segundo Lotufo, é possível erguer hidrelétricas na Amazônia, mas devem ser levados em conta todos os usos da água, inclusive a navegação.
- O Brasil precisa fazer trocas inteligentes. O coração da floresta e a região dos Rios Purus e Juruá devem permanecer integralmente preservadas - sugere. (Cleide Carvalho)
O Globo, 23/09/2012, Economia, p. 36
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