OESP, Especial, p. H5
12 de Nov de 2012
Obra para ampliar hidrovia do Tietê ao Paraná é iniciada
Barragem de Santa Maria da Serra é parte de um convênio de R$ 1,5 bilhão entre o Estado de São Paulo e a União
JOSÉ MARIA TOMAZELA
SOROCABA, ESTADO
O consórcio contratado pelo Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo para construir a barragem de Santa Maria da Serra, no Rio Piracicaba, iniciou no último dia 6 os estudos geológicos na área a ser inundada. A obra, no valor de R$ 420 milhões, deve ser concluída até 2015. O lago vai permitir a navegação em mais 55 quilômetros e levar a Hidrovia Tietê-Paraná para a região de Piracicaba, um dos principais polos industriais e sucroalcooleiros do Estado de São Paulo. O consórcio vencedor da licitação tem mais 18 meses para entregar o projeto executivo e os estudos ambientais para a obra.
A barragem de Santa Maria da Serra levará as barcaças com cargas até o distrito de Artemis, permitindo a integração com a ferrovia em Piracicaba. A obra faz parte de um convênio de R$ 1,5 bilhão entre o governo do Estado e a União para modernizar a hidrovia e ampliar a capacidade de navegação. Do montante, R$ 900 milhões sairão dos cofres federais e R$ 600 mil do Estado. O pacote inclui a ampliação do eixo principal da hidrovia em outros 200 km, entre os municípios de Anhembi e Salto, no Médio Tietê. Para isso, serão construídas outras cinco barragens no Rio Tietê.
Também está prevista a construção de portos e a instalação de terminais para carga e descarga em Araçatuba e Rubineia, além de obras de dragagem, retificação de canais e abertura em vãos de pontes ao longo da hidrovia. As eclusas de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Nova Avanhandava e Três Irmãos, todas no Tietê, passarão por reformas.
Ampliação. A extensão da navegação, segundo o Departamento Hidroviário, vai triplicar o volume de cargas que passa pela hidrovia, dos atuais 7 milhões de toneladas para 21 milhões de toneladas ao ano. O aumento deve ocorrer em toda a via, com destinos finais, inicialmente, em Pederneiras, Santa Maria da Serra, Anhembi, Conchas e, por último, em Salto. O modal é considerado 35% mais barato que o transporte rodoviário.
As barragens de Anhembi e Conchas estão com projeto básico e executivo em contratação. A de Laranjal Paulista tem a contratação prevista para o início de 2013. Já as barragens de Tietê e Porto Feliz tiveram os projetos básicos concluídos e têm o estudo ambiental em andamento. Os municípios que serão atingidos pela extensão planejam explorar o turismo fluvial, que já ocorre ao longo da hidrovia, especialmente em Barra Bonita.
Atualmente com 1.020 km de extensão, dos quais 554 km no Rio Tietê, a Hidrovia Tietê-Paraná é a segunda no Brasil em transporte de cargas, atrás apenas dos sistemas hidroviários da Bacia Amazônica.
Transporte de carga usa 8,5 mil km de rios no País
SOROCABA
O Brasil utiliza 8,5 mil km de rios para o transporte regular de cargas. Além da Hidrovia Tietê-Paraná, outros importantes corredores hidroviários fazem o escoamento da produção pelo País. Na região amazônica, a Hidrovia do Madeira (Corredor Oeste-Norte), com extensão navegável de 1.056 km entre Porto Velho e o Rio Amazonas, transporta 2,5 milhões de toneladas por ano, sobretudo soja. A Hidrovia do Araguaia-Tocantins (Corredor Araguaia-Tocantins) começa a ser usada no transporte de minérios das jazidas de caulim e bauxita - a previsão é de transportar até 5 milhões de toneladas anuais.
Ligando o Sudeste ao Nordeste, a Hidrovia do São Francisco (Corredor São Francisco) abrange quase toda a extensão do rio, mas sofre restrições nos períodos de seca e não tem saída para o mar. Movimenta 100 mil toneladas por ano, mas serve também ao transporte de passageiros. A Hidrovia do Paraguai (Corredor do Sudoeste), conecta o Rio Paraguai e o curso inferior do Rio Paraná ao Rio da Prata, com 3.442 km de extensão, desde Cáceres (MT), sendo 1.278 em território brasileiro. Apesar das restrições em épocas de seca, movimenta pelo menos 3 milhões de toneladas ao ano, sobretudo soja e minérios. A Hidrovia do Jacuí-Taquari-Lagoa dos Patos e Mirim (Corredor Sul), no Rio Grande do Sul, transportou 2,4 milhões de toneladas no ano passado, apenas nas vias internas. / J.M.T.
OESP, 12/11/2012, Especial, p. H5
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