OESP, Economia, p. B4
24 de Abr de 2010
OAS negocia entrada em Belo Monte
Construtora já teria firmado acordo para se integrar ao consórcio vencedor, depois da outorga da concessão, em setembro
Renée Pereira
O Grupo OAS, quinto maior do País na área de construção civil, deverá integrar o Consórcio Norte Energia, que venceu o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), realizado terça-feira. No momento, a empresa negocia com os demais integrantes do consórcio as condições e qual poderia ser sua participação na usina, cujo investimento soma mais de R$ 19 bilhões, afirmam fontes ligadas à companhia.
O interesse da empreiteira pela terceira maior hidrelétrica do mundo surgiu na reta final do processo de licitação. Com a desistência das construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht, o governo decidiu formar seu próprio consórcio e saiu à procura de possíveis sócios.
Foi nessa busca que a OAS surgiu ao lado de Queiroz Galvão (quarta maior construtora do País) e Bertin (tradicional companhia do setor frigorífico) como o principal nome do consórcio que disputaria Belo Monte com o grupo liderado pela Andrade Gutierrez. Mas, na última hora, a empresa não apareceu na lista de participantes da disputa.
A explicação é que a construtora não conseguiu resolver algumas pendências burocráticas vinculadas ao Edital de Licitação a tempo de efetuar o depósito de garantias, no dia 16. Mas, para não ficar fora do empreendimento, ela teria firmado um acordo com o consórcio para entrar mais tarde no grupo, após a outorga da concessão, que deve ocorrer nos próximos meses. Apenas depois da divulgação do decreto é que as empresas vão assinar o contrato de concessão.
Até lá, o governo e o Grupo Eletrobrás vão trabalhar pesado para organizar o consórcio. Ontem circulava no setor que vários diretores estavam reunidos no Rio de Janeiro para discutir os próximos passos do grupo, que ganhará novos sócios, a exemplo de OAS e dos fundos de pensão, e pode perder outros, conforme notícias a respeito de uma possível desistência da Queiroz Galvão. Não está descartada a participação de Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez na construção da usina.
Autoprodutores. Além das construtoras, o grupo está à procura de autoprodutores - empresas que entram no projeto como investidoras para garantir uma parcela da energia em suas fábricas. Na lista de possíveis sócios estão Vale, Braskem, Gerdau, CSN e Alcoa.
No caso da Alcoa, a participação na usina poderia tornar viável o projeto de uma fábrica de alumínio no Norte do País. Mas uma possível parceria só ocorreria depois de um certo tempo, já que a companhia entrou num bilionário projeto na Arábia Saudita. De acordo com as regras, os autoprodutores terão até 10% de toda energia produzida pela hidrelétrica de 11.233 megawatt (MW) de potência.
"Para fechar a nova formação desse consórcio, terá de haver flexibilidade de ambos os lados. Cada um terá de ceder um pouco, especialmente o governo federal", afirmou um autoprodutor, que prefere não se identificar. A explicação está no preço baixo, de R$ 78,03 o MWh, imposto pelo consórcio para vencer o leilão.
Embora o lance tenha ficado no mesmo nível das usinas do Rio Madeira (Santo Antônio, R$ 78,87, e Jirau, R$ 71,40), a energia de Belo Monte sairá mais barata para o consumidor. Isso porque a região conta com o linhão de Tucuruí, cujo transporte custa a metade do que custará no Rio Madeira.
Tudo isso seria uma ótima notícia se o empreendimento de Belo Monte não fosse extremamente complicado do ponto de vista de engenharia, ambiental e jurídico. O que pode atrasar o cronograma das obras. A primeira turbina deverá entrar em operação em 2015.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100424/not_imp542325,0.php
Área alagada foi reduzida
O projeto da Hidrelétrica de Belo Monte nasceu há mais de 30 anos. Para chegar ao desenho atual, a usina passou por inúmeras remodelações. Nasceu como Kararaô, dentro de um complexo de seis hidrelétricas e, mais tarde, foi rebatizada como Belo Monte.
Na última reestruturação, para diminuir os impactos ambientais e atender às reivindicações da oposição, a área alagada foi reduzida de 1.200 para 516 km². Mas a solução pode trazer novos contratempos, já que exigirá a construção de dois canais, cujas escavações equivalem ao Canal do Panamá.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100424/not_imp542291,0.php
OESP, 24/04/2010, Economia, p. B4
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