GM, Opiniao, p.A3
Autor: MICHEL, Jose Reinaldo
04 de Jul de 2005
O potencial da energia solar
José Reinaldo Michel
Uma das vantagens desta fonte é o rápido retorno do investimento. Muito se tem falado em energias alternativas e no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas e Energia Elétrica (Proinfa), criado no ano passado pelo governo federal com o objetivo de estimular as fontes energéticas mais limpas, que inclui viabilizar a geração de energia através de biomassas, eólica e pequenas centrais hidrelétricas. Mas, por outro lado, está sendo pouco divulgado na mídia a importância de investir em energia solar no Brasil, sistema que possibilita grande economia de energia elétrica, algo hoje muito importante para o País, ainda mais se levarmos em consideração a possibilidade de novos racionamentos de energia, sem falar do perigo do apagão. Praticamente consolidada no segmento residencial, essa possibilidade de geração de energia para aquecimento de água abre espaço em diversos locais como hotéis, hospitais, indústrias, escolas, academias, clubes, edifícios, condomínios e outros. Podemos citar, por exemplo, o caso da região de Porto Seguro (BA), onde, nos últimos anos, mais de 250 hotéis e pousadas instalaram aquecedores solares. A questão do uso do aquecimento solar prioriza a viabilidade econômica, pois é rápido o retorno sobre o investimento e o viés ecológico por ser uma energia limpa. Podemos verificar que o aquecimento solar possui grande aplicabilidade, inclusive em edificações públicas e privadas, mas o grande potencial desse segmento ainda é muito pouco aproveitado no País. No Brasil, a capital que mais investe em aquecimento solar é Belo Horizonte, com mais de 950 prédios instalados, e com o apoio da concessionária de energia elétrica, a Cemig. Só para se ter uma idéia, o aquecimento de água representa uma das maiores despesas operacionais em um hotel, respondendo por entre 5% e 15% do faturamento, podendo representar mais de 20% do consumo de energia elétrica e até 45% do consumo global de recursos energéticos. A aplicação da energia solar no setor industrial ainda é inexpressiva no País, mas nos últimos anos vem tendo um considerável crescimento. Verificamos que vários segmentos industriais no Brasil vêm procurando de forma crescente avaliar a implantação solar, pois o sistema é viável para quaisquer aplicações que demandem água quente, e acredita-se que este ano deva ter uma evolução de 10% desse mercado. Apesar do forte apelo econômico (redução de custos operacionais) e ambiental (uma energia limpa), o aquecimento solar ainda precisa de mais incentivo para conquistar mais mercado nos segmentos industriais, de serviços e de comércio. Esse estímulo poderia vir do governo através de incentivos fiscais ou financiamento com juros compatíveis com o retorno do investimento do cliente final. O mercado tem um enorme potencial, e reduzir o consumo de energia interessa ao País; por isso acho que deveria ser analisado de forma diferenciada pelos nossos governantes. No setor residencial, o ideal é que haja um plano de incentivo para que as classes com menos poder aquisitivo possam também ter acesso à energia solar. Em alguns casos, a economia no consumo de energia elétrica chega a ultrapassar 30%, já que o chuveiro é um dos itens que mais consomem energia. Além de reduzir o consumo de energia elétrica, podemos citar outros benefícios da energia solar, como aumento do conforto, qualidade de vida e um item importante para as concessionárias de energia, que demandaria menor investimento em novas usinas e menor custo na distribuição de energia e em relação ao País: diminuição da dependência de recursos energéticos e preservação do meio ambiente. O Brasil ainda tem um potencial muito grande de crescimento no mercado de energia solar, ainda mais se tomarmos como exemplos países como Áustria, Israel e Grécia, que são os que mais utilizam esse tipo de energia no mundo.
kicker: A capital que mais investe em aquecimento solar é Belo Horizonte, que tem mais de 950 prédios equipados
José Reinaldo Michel - Diretor da e2solar.
GM, 04/07/2005, p. A3
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