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O plano de João Doria nas mãos da Anvisa

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04 de dez de 2020

O plano de João Doria nas mãos da Anvisa

Coluna do Estadão
04 de dezembro de 2020

Até quem não vai com a cara de João Doria no espectro político do centro para a esquerda reconhece que o governador paulista está correto em acreditar e trabalhar pela vacinação contra a covid-19 a partir de janeiro. Não importam mais as razões, a prioridade é não deixar o País muito atrás na corrida pela imunização. Porém, quem conhece a Anvisa por dentro acha que já seria difícil para o governador paulista obter êxito nesse cronograma mesmo se contasse com a boa vontade da agência e do Planalto. Imagine sendo inimigo de Jair Bolsonaro...
Risco. O Butantã espera apresentar até o dia 15 os resultados de eficácia. Segundo o governo de SP, o processo na Anvisa está avançado e, portanto, faz mais sentido fazer o pedido de registro tradicional e, assim, definitivo.
Risco 2. É justamente nesse ponto onde mora o perigo. O registro definitivo, na prática, significa deixar o instituto mais vulnerável às exigências e também à burocracia da Anvisa.
Risco 3. O outro caminho seria buscar o registro provisório. O risco, nesse caso, é ser gongado sem muitas explicações.
Significa? Vacina: governo federal quer esperar até março; aumento na conta de luz: é pra já. Enquanto isso, no Congresso só se fala (e se trabalha) na sucessão dos presidentes das Casas (eles, inclusive).
E nós? Quilombolas também querem estar no grupo prioritário de vacinação, assim como a população indígena, idosos e profissionais de saúde. A Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) promete procurar a Saúde, o MP e até o STF.
Grave. "Existe uma intenção clara de fazer com que as comunidades quilombolas sejam prejudicadas. Não nos incluir no plano de vacinação mostra que o governo não reconhece as fragilidades e dificuldades em que estão essas comunidades", disse Biko Rodrigues.
Repeat. Colegas ironizam o fato de o relator da PEC emergencial, Márcio Bittar (MDB-AC), postergar a apresentação do relatório. Segundo eles, o senador está no modo Paulo Guedes.
Abraçados. É grande a confusão em que se meteu o Ministério Público-SP com o suposto pedido de prioridade da categoria na vacinação contra a covid-19. Mas os promotores não estão sozinhos no desgaste: o TJ-SP aprovou um auxílio-saúde para magistrados.
Abraçados 2. "Absurdo! Isso se chama privilégio e é completamente irresponsável, ainda mais diante do tamanho da crise enfrentada pela população esse ano", disse a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) nas redes sociais. Ela é uma "influencer" poderosa...

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