O Globo, Opinião, p. 19
Autor: MINC, Carlos
15 de Jun de 2013
O peso da política ambiental
Carlos Minc
Ambientalistas idealizavam o Parque Fortaleza: a melhor defesa seria o não uso. A proteção efetiva é bom uso. O Rio de Janeiro passou de maior a menor desmatador da Mata Atlântica, criando parque, corredor de biodiversidade, instituindo unidades de proteção, inéditas no país.
Há que conceder licenças rigorosas, com padrão de emissão de poluentes mais restritivos do que os do Conama, tecnologia limpa, condicionantes ambientais, como saneamento, investimentos para catadores e pescadores. O Rio é o único estado que obriga à redução de emissões de CO2 e à Compensação Energética: um percentual em energia renovável para usinas com energia fóssil.
Há também que dizer "não" à duplicação do Terminal da Petrobras vizinho ao Parque da Ilha Grande, à Térmica a Carvão em Itaguaí , ao Porto Off Shore em Arraial do Cabo, ao Terminal de Minério da Brasore na Ilha de Itacuruçá, e à dragagem do Rio Guaxindiba, no manguezal de Guapimirim, para passar equipamento do Comperj.
Lixo é questão do município? Sim, mas não lavamos as mãos em chorume: construimos aterros consorciados; licenciamos privados; criamos subsídio para os que destinem o lixo corretamente; aprovamos lei do ICMS Verde: sem aumentar imposto, distribui mais recurso ao município que crie parque, trate esgoto, acabe com lixão e amplie coleta seletiva.
Em 2006, lixões eram destino de 90% do lixo e aterros de 10%. Em 2013, 92% do lixo vão para aterros e 8% para lixões. Fechamos os lixões da Baía: Itaoca (SG), Babi (BR), Gramacho (DC): menos um Maracanã semanal de chorume nas águas da Guanabara.
Saneamento é o melhor investimento para defender praia, turismo, pesca. O saneamento/dragagem na Lagoa de Araruama reabriu peixarias, pousadas, trouxe festival do camarão, campeonato de Windsurf. Nas lagoas da Barra/Jacarepaguá o tratamento de esgoto em 2006 era 0%. Com ETE, emissário de 5 kms e 22 elevatórias, 60% são tratados.
A Baía de Guanabara é o desafio maior: desde 2006 triplicou o volume de esgoto tratado - era 12% passou para 36%. Mas 64% ainda poluem a baía. Até novembro, a unidade de tratamento do Rio Irajá retirará 12% da poluição da baía.
Política ambiental pode gerar desenvolvimento sustentável. Isto se dá por tensões, avanços legislativos e sociais, tecnologias limpas. E, sobretudo, por aumento de consciência e mudanças de atitude.
Carlos Minc foi ministro do Meio Ambiente (2008/2010) e é secretário do Ambiente do Estado do Rio
O Globo, 15/06/2013, Opinião, p. 19
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.