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O Nobel da Terra

O Globo, Opinião, p, 6
16 de Out de 2007

O Nobel da Terra

O prêmio Nobel, como tudo que tenta escolher um vencedor entre inúmeros concorrentes, não é perfeito. Mas o da Paz deste ano foi muito feliz ao agraciar Al Gore e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) por seu trabalho no combate ao aquecimento global e na conscientização de pessoas e governos da importância disso para a Humanidade.

Gore é o político americano que, tendo perdido na Justiça as eleições de 2000 para Bush (embora vencesse no voto popular), reinventou-se como campeão da defesa do meio ambiente, tendo seu documentário "Uma verdade inconveniente" conquistado o Oscar em 2006. O IPCC, criado em 1988, reúne 3 mil cientistas (nove deles brasileiros) para estudar os efeitos das mudanças climáticas e traçar estratégias para neutralizá-las. É uma combinação perfeita: Gore, o comunicador a despertar a consciência do mundo. E o IPCC, que trabalha para produzir diagnósticos e indicar tratamentos.
O Nobel da Paz não tem como obrigar ninguém a mudar de atitude. O que é uma pena. Pois o de 2007 reforça a necessidade de os países unirem esforços em busca de um modelo de crescimento sustentado e não predador do meio ambiente. O IPCC concluiu ser de 90% a probabilidade de o aquecimento global ser produzido pelo homem. Mas observou que já existe tecnologia adequada para detê-lo. De imediato, os céticos precisam se convencer da justeza da luta. Governos egoístas política e economicamente falando, como o atual americano, recusam-se a aderir ao Tratado de Kioto, mas precisam fazê-lo, como é óbvio.
Países superpopulosos em crescimento acelerado, como China e Índia, padecem da agressão que vêm impondo ao meio ambiente. Na China, principalmente, há rios condenados, desertificação galopante e poluição desenfreada nos grandes centros urbanos. Esses países devem se dar conta de que, no seu caso, o padrão de consumo ocidental é meta totalmente inviável, que esgotará a Terra.

Nem tão populoso, nem de tão rápido crescimento, não escapa o Brasil de assumir a responsabilidade que lhe toca, deixando de lado a hipócrita rejeição de metas que limitem a emissão de poluentes e abraçando o compromisso solidário com o futuro do planeta.

O Globo, 16/10/2007, Opinião, p. 6

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