OESP, Economia, p. B2
Autor: CORNACCHIONI, Luiz
21 de Mar de 2008
O mundo inveja nossas florestas
Luiz Cornacchioni
De acordo com estudo da Embrapa Monitoramento por Satélite sobre a evolução das florestas mundiais constata-se que mais de 75% das florestas primárias já desapareceram e, com exceção de parte das Américas, fica evidente que todos os outros continentes desmataram, e muito. Dos 64 milhões de km² de florestas existentes antes da expansão demográfica e tecnológica dos humanos, restam menos de 15,5 milhões km², cerca de 24%.
Há cerca de 8 mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais. Hoje, o nosso país detém 28,3%. O estudo indica que, apesar do desmatamento dos últimos 30 anos, o Brasil é um dos países que mais mantiveram sua cobertura florestal. Dos 100% de suas florestas originais, a África mantém hoje 7,8%; a Ásia, 5,6%; a América Central, 9,7%; e a Europa - o pior caso do mundo -, apenas 0,3%. Com invejáveis 69,4% de suas florestas primitivas, o Brasil tem grande autoridade para tratar desse tema ante as críticas dos campeões do desmatamento mundial. Há que ter também responsabilidade para reavivar, por meio de políticas e práticas duradouras, a eficácia das medidas históricas de gestão e exploração que garantiram a manutenção das florestas primárias brasileiras.
Para que o Brasil mantenha essa liderança e ainda melhore esse indicador, as florestas devem ser mantidas, e para isso elas são chamadas pela legislação brasileira de Unidades de Conservação, fazendo parte do sistema brasileiro de proteção ao meio ambiente e controladas pelo órgão federal Ibama. Entre os principais objetivos buscados por essa política estão:
a contribuição para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;
a proteção das espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;
a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
a recuperação ou restauro de ecossistemas degradados; e
a valorização, econômica e social, da diversidade biológica.
Embasado na maioria desses objetivos há o Projeto Corredores da Mata Atlântica que tem como princípio recuperar e religar os fragmentos de floresta a fim de evitar a perda de riquezas naturais insubstituíveis. A melhor descrição para esse projeto seria uma "colcha de retalhos de áreas ambientalmente sustentáveis que integra parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, áreas de cultivo e pastagem, centros urbanos e atividades industriais".
Outro programa a ser destacado é o Programa de Restauração de Matas Naturais, que envolve os biomas mata atlântica e cerrado e tem como objetivos: restaurar o ecossistema original, promover o fluxo gênico, promover harmonia do mosaico eucalipto e áreas naturais, além de estabelecer corredores ecológicos.
Tendo esses objetivos atingidos esses programas comemoram seu sucesso. Porém outro benefício não menos importante é conquistado com o enriquecimento desses biomas. Trata-se da remoção do gás carbônico da atmosfera terrestre pelo processo da fotossíntese das espécies vegetais, evitando, assim, a degradação da camada de ozônio e, conseqüentemente, o aquecimento global.
Sendo assim, as empresas deveriam se comprometer não só a reduzir a emissão de gases poluentes, como também a preservar áreas florestais degradadas como uma forma de "compensar" a poluição lançada na atmosfera. Neste sentido, há um grupo de empresas de diversos continentes (The Forest Dialogue) que tem por objetivo construir uma visão comum entre o setor produtivo e os ambientalistas para a promoção de ações efetivas em prol da conservação da biodiversidade associadas às operações de produção florestal.
Portanto, discutir florestas e desmatamento aqui no Brasil é tema da maior importância, uma vez que gera reflexos para todos os negócios e para todas as pessoas, pode gerar expressiva contribuição em termos financeiros em total sintonia com os mais rígidos princípios de sustentabilidade e tem a capacidade de contribuir para uma melhora da qualidade do ar que respiramos. O Brasil deve reafirmar sua posição diferenciada e única no mundo pela quantidade e pela diversidade de sua mata nativa e não deve permitir que desmatamentos inconseqüentes e vinculados com uma visão de curto prazo sigam ocorrendo..
Luiz Cornacchioni, engenheiro florestal, especialista em manejo, é gerente de Comunicação Corporativa da Suzano Papel e Celulose
OESP, 21/03/2008, Economia, p. B2
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