O Globo, Planeta Terra, p. 5
24 de Mai de 2011
O drama dos pinguins
Mudanças no clima da Antártica ameaçam sobrevivência de espécie
Andy Isaacson
Ilha de Ross, Antártica Do New York Times
O Cabo Royds, lar da colônia de pinguins mais ao sul do mundo, é um promontório de rocha coberto por gelo sujo e com mau cheiro de fezes de aves. Para além da barafunda de pios de filhotes pedindo a seus pais porções de krill regurgitado está o Mar de Ross, extensão meridional do Oceano Pacífico que abriga mais de um terço da população mundial de pinguins da espécie adélia (Pygoscelis adeliae) e um quarto de todos os pinguinsimperadores, no que provavelmente é o último ecossistema marinho intacto da Terra.
Esta colônia de pinguins é uma das mais estudadas do planeta. Dados sobre os pinguins-adélia foram coletados pela primeira vez entre 1907 e 1909, durante a expedição de Ernest Shackleton, um eminente explorador britânico cuja cabana de madeira ainda pode ser vista nas proximidades.
- Este é o nirvana dos pinguins - resumiu David Ainley, ecologista da empresa de consultoria H. T. Harvey e Associados que estuda os pinguins do Mar de Ross há 40 anos. - Este é o lugar onde você quer estar se for um pinguim do gelo.
Das espécies mais ameaçadas pelo aquecimento global, as mais em risco, evidentemente, são as que dependem do gelo para sobreviver. Assim, os pinguins-adélia são como alarmes das mudanças climáticas e, no extremo norte da Península Antártica, suas colônias entraram em colapso com a invasão de águas mais quentes, que encurtaram a temporada de cobertura de gelo do oceano durante o inverno.
Nas últimas três décadas, a população de pinguins-adélia na península, a nordeste do Mar de Ross, caiu em quase 90%, enquanto a única colônia de pinguins-imperadores agora está extinta. A temperatura média do ar no inverno no oeste da Península Antártica, uma das áreas que está se aquecendo mais rapidamente no planeta, subiu vários graus nos últimos 50 anos, provocando uma maior precipitação de neve que enterra as rochas para onde os pinguins-adélia retornam todos anos para construírem seus ninhos - e favorecendo pinguins que podem sobreviver sem o gelo e se reproduzirem mais tarde, como os pinguins-gentoo, cuja população disparou 14.000%.
O Globo, 24/05/2011, Planeta Terra, p. 5
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