O Globo, Economia, p. 30
30 de Ago de 2009
O caro do ecologicamente correto
Preço ainda é um dos maiores entraves à expansão do consumo de artigos que não agridem o meio ambiente
Fabiana Ribeiro
Sai caro ser um consumidor ecologicamente correto. Os alimentos - que respondem pela metade dos produtos sustentáveis disponíveis no varejo - podem custar quase cinco vezes mais do que seus similares convencionais.
Um detergente biodegradável vale até seis vezes mais. E um sabão em pó com matéria-prima orgânica sai por até o dobro do líder do mercado. Com isso, o preço se torna um dos principais entraves à expansão do consumo de artigos "verdes", especialmente para as classes C e D.
Ainda assim, segundo pesquisas, os consumidores já estão propensos a pagar mais para levar para casa um item que não agrida o meio ambiente.
Em sondagem do Instituto Akatu, de 2007, 37% dos brasileiros declararam estar aptos a desembolsar até 25% mais por artigos com selo ambiental. No ano seguinte, num estudo do Ibope, 71% dos brasileiros se disseram dispostos a gastar mais. Segundo especialistas, as declarações ainda não correspondem à prática, mas sinalizam que o consumidor está aberto à questão.
- Existe uma diferença entre falar e fazer. Mas as pessoas começam a ter mais consciência do poder transformador dos seus atos de consumo.
Hoje, três fatores pesam na decisão de compra: qualidade, preço e impacto ao meio ambiente - disse Hélio Matar, diretor-presidente do Akatu.
Segundo Alberto Serrentino, sócio sênior da consultoria GS&MD Gouvêa de Souza, o maior custo dos produtos com selo verde - do amaciante de roupas à mesa de jantar, passando pelos orgânicos - se deve à falta de fornecedores e à consequente baixa escala.
- Fazer um produto verde implica desenvolver uma tecnologia apropriada.
Isso exige um custo inicial, que, mais tarde, trará retorno para essa empresa que apostou no sustentável - explicou Serrentino.
Na avaliação de Matar, os hábitos do consumo pesam nos custos. Para ele, uma família consegue absorver o maior custo dos orgânicos quando planeja melhor suas compras e aproveita todo o alimento (sobras, talos e cascas).
- Hoje, a família média brasileira desperdiça de 30% a 40% dos alimentos.
Comprar exatamente o que consumir e fazer melhor uso dos alimentos são exemplos de consumo consciente - disse Matar.
Mas nem sempre um produto ecologicamente correto é mais caro que o similar convencional. Para toda regra há exceções, mostra o Wal-Mart. Na rede, há itens como o papel higiênico Neve Naturalli (com oito rolos) por R$ 14,29 - alguns centavos mais barato que o Neve comum. Já a água sanitária MP sai por R$ 1,58, enquanto a tradicional, da marca Candida, vale R$ 1,98.
- Até nossa marca própria aposta na sustentabilidade. E, muitas vezes, o preço é menor que o do líder - disse Christianne Urioste, diretora de Sustentabilidade do Wal-Mart, ressaltando que a varejista tem pedido aos fornecedores para exporem melhor na embalagem do produto os benefícios para o meio ambiente.
A empresária Cláudia Simões reconhece a importância dos produtos "verdes". E, por isso, passou a comprar para sua casa e para sua loja marcas de limpeza ecologicamente corretas.
- São mais caros, mas rendem mais, fazendo com que o consumo seja menor - disse Cláudia, acrescentando que até mesmo para sua loja se preocupa em buscar tecidos ecológicos.
Medidas que serão adotadas pelo país
Setor energético: Melhoria da eficiência da oferta e distribuição de energia, com substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis, como etanol e biodiesel.
Indústria: Utilização de equipamentos eficientes, adoção de práticas de reciclagem e de substituição de materiais, controle das emissões de gases e captação, e armazenamento de carbono.
Setor de transportes: Modernização da frota de veículos, expansão do uso de sistemas ferroviários e aquaviários e incentivos aos transportes coletivos, em substituição aos particulares.
Edificações: Utilização de equipamentos eficientes e de energia solar, além da adoção de um sistema de planejamento integrado que permita ganhos na utilização.
Agricultura: Manejo adequado para aumentar o armazenamento de carbono no solo, recuperação de áreas degradadas e intensificação da pecuária bovina.
Florestas: Redução do desmatamento, estímulo ao manejo florestal sustentável, florestamento e reflorestamento.
Resíduos: Recuperação do metano de aterros sanitários, incineração com recuperação de energia e reciclagem.
O Globo, 30/08/2009, Economia, p. 30
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