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O Brasil em uma década: avanço social, crimes e desmatamento

Jornal da Tarde-São Paulo-SP
20 de Jun de 2002

O primeiro relatório oficial brasileiro sobre desenvolvimento sustentável, divulgado ontem pelo IBGE, faz um balanço do País na década de 90 e revela importantes avanços na área social, boas e más notícias na preservação do meio ambiente e um preocupante crescimento da violência.

O documento mostra ainda a continuação de uma das piores características do Brasil: a desigualdade entre ricos e pobres, que se manifesta em temas que vão desde a renda das famílias até o acesso à saúde, à educação e ao saneamento básico.

"Do ponto de vista social e econômico, com exceção da violência, há melhoria, com persistência da desigualdade, o que é um problema para a sustentabilidade. A desigualdade é insustentável", resumiu ontem o presidente do IBGE, Sérgio Besserman Vianna.

A pesquisa, chamada Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, reúne informações sobre 50 itens. Servirá de base para o relatório a ser apresentado pelo governo brasileiro na cúpula mundial Rio + 10, entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro, em Johannesburgo, África do Sul.

Cada país prestará contas de seu desempenho no cumprimento das metas estabelecidas durante a Rio 92.

Na área ambiental, o Brasil conseguiu reduzir o consumo de gases destruidores da camada de ozônio, aumentar o investimento público no setor, mas não foi capaz de controlar o desmatamento. Entre 1992 e 1999, o País perdeu em média 18,4 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica por ano.

Os números sobre segurança pública indicam o crescimento da taxa de homicídios que, no mesmo período, passou de 19,12 assassinatos por cem mil habitantes para 26,18.

A redução da mortalidade infantil, o aumento do número de crianças na escola e o crescimento da renda, apesar de ainda muito baixa, são alguns dos resultados apontados pelo IBGE para a área social.

Os indicadores trazem também um capítulo específico sobre economia, revelando o aumento do Produto Interno Bruto, o crescimento da dívida externa e as dificuldades para levar a taxa de investimento para níveis superiores a 20%.

Coordenador técnico geral dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, o agrônomo do IBGE Wadih Scander Neto diz que o documento "lembra um painel de controle de um avião para ver se o País está indo na direção do desenvolvimento sustentável corretamente." Wadih ressalta que buscou índices abrangentes, independentemente de resultados positivos ou negativos.

"Não usamos a tática do que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde. Eu diria que estamos mais na direção correta do que incorreta", resume o coordenador.

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