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O abandono da saúde indígena

O Eco - http://www.oecoamazonia.com/
Autor: Nathália Clark
29 de Ago de 2011

Permanentemente envolvido com denúncias de má aplicação dos recursos, o setor de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) teve suas atribuições transferidas para a recém-criada Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde. A troca de gestão visava transformar a realidade epidemiológica dos indígenas. No entanto, essa mudança, na prática, não foi implementada por completo e suas deficiências têm atuado na contramão do combate à proliferação de doenças.

Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Victor Py Daniel, um exemplo da falta de ações governamentais práticas na Amazônia brasileira é a enfermidade denominada mansonelose, doença que pode ser transmitida por algumas espécies de mosquitos comuns na região, como os maruins e piuns. Estes insetos se proliferam principalmente no período de chuvas, quando começam a surgir doenças e viroses em consequência do acúmulo de água.

Segundo ele, as maiores prevalências são encontradas em áreas próximas das fronteiras com a Colômbia e Venezuela, no alto rio Negro. "Os índices obtidos por nós nos diferentes locais examinados foram altos, o que leva a caracterizar esta enfermidade como um fator de extrema importância para o bem-estar e desenvolvimento das comunidades na Amazônia".

Médio Purus

No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Médio Rio Purus, órgão subordinado à Sesai localizado no município de Lábrea, sul do Amazonas, essa situação se prolifera. De acordo com uma das lideranças locais, José Raimundo Lima - o Zé Bajaga -, coordenador da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp), as ações estão paradas desde a transferência de gestão, propiciando a proliferação de doenças em comunidades distantes cerca de uma semana de barco da capital, Manaus.

"Aqui na região, a nossa estrada é o rio. Além de não haver barcos para manutenção sanitária nas aldeias, são as comunidades que têm que vir até a cidade para receber tratamento. Cada viagem demora pelo menos cinco dias. Só nesses deslocamentos perdemos muita gente. E, quando voltamos, a chance de levar gripe para a aldeia também é grande", explicou.

Segundo ele, até agora, foram constatados ao todo 32 mortes, em sua maior parte crianças. Somente do povo Deni foi confirmada a morte de 26 indígenas. Zé Bajaga contou ainda que os principais casos constatados nos cerca de 50 pacientes alojados na Casa de Saúde Indígena (Casai), que fica na região da BR-230 (Transamazônica), são de malária e tuberculose.

Os parasitas da malária são transmitidos por mosquitos fêmea do gênero Anopheles. A Amazônia, por sua abundância hídrica, é a região do Brasil onde ocorrem 98% dos casos de malária. Por todo o interior do país, a principal espécie transmissora é o Anopheles darlingi, hoje restrito ao bioma amazônico.

http://www.oecoamazonia.com/br/blog/296-o-abandono-da-saude-indigena

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