O Globo, Ciencia e Vida, p.38
10 de Set de 2004
Número de espécies ameaçadas pode ser 50% maior
ALBERTA, Canadá. O número real de animais e plantas em risco de extinção pode ser 50% maior do que o revelado pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, segundo estudo divulgado na última edição da revista Science. As estimativas atualmente disponíveis, alertam especialistas, não levam em conta muitas espécies que dependem diretamente daquelas reconhecidas oficialmente como ameaçadas, caso de vários parasitas e insetos.
Coordenado por Lian Pin Koh, da Universidade Nacional de Cingapura, e Robert Dunn, da Universidade de Curtin, nos Estados Unidos, o novo estudo estima que, além das 12.200 espécies que constam da lista oficial, pelo menos outras 6.300 estariam igualmente ameaçadas. É o caso por exemplo, dos piolhos. Três espécies destes insetos dependem, diretamente, do ameaçadíssimo macaco da espécie Procolobus badius waldroni . Segundo os cientistas, como estas, muitas outras espécies em risco teriam sido negligenciadas nas listagens oficiais por serem menos exuberantes ou carismáticas que seus hospedeiros.
Gostaríamos de ver mudanças na Lista Vermelha, de forma que, quando uma espécie de mamífero, por exemplo, for listada, apareçam, numa outra coluna, todas as espécies ligadas a esse animal apresentadas como possivelmente em risco propôs Navjot Sodhi, da Universidade de Cingapura.
Mas, o próprio Sodhi reconhece, não será fácil acrescentar detalhes sobre espécies dependentes na Lista Vermelha porque na maioria dos casos, elas simplesmente não são conhecidas.
Cerca de 200 espécies já teriam sumido
Para chegar às estimativas, a equipe partiu de oito grupos de hospedeiros bastante conhecidos e suas espécies afiliadas, como as chamaram. Para cada um dos grupos, eles estimaram o número de espécies dependentes que sobreviveria no caso de redução da população de hospedeiros. Eles estimaram ainda a probabilidade de uma espécie afiliada ser extinta. Baseados nesses resultados, eles criaram um modelo para calcular as extinções simultâneas.
Com isso, revelaram, além das 399 espécies consideradas hoje extintas, é possível dizer que outras 200 também desapareceram sem deixar registro histórico.
O Globo, 10/09/2004, p. 38
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