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Novos OGMs podem ser mais nutritivos

OESP, Vida, p. A16
07 de Jul de 2008

Novos OGMs podem ser mais nutritivos

Jonathan Leake, The Sunday Times, Londres

Cientistas estão produzindo frutas e vegetais transgênicos mais nutritivos, capazes de fornecer até uma dose diária de nutrientes em uma única refeição. A lista de organismos geneticamente modificados (OGMs) em desenvolvimento e candidatos ao mercado futuro inclui batatas com 33% mais proteína e amendoins livres de moléculas causadoras de alergia.

Seriam os primeiros OGMs com benefício direto para os consumidores - diferentemente dos transgênicos atuais, como soja e milho, cujas modificações genéticas beneficiam apenas os produtores (resistência a pragas e menor consumo de pesticidas). Por isso, os cientistas esperam que eles enfrentem menos rejeição do que os seus precursores.

"É hora de reabrir o debate sobre plantas transgênicas", defende o pesquisador Chris Leaver, da Universidade de Oxford. "A população da Terra vai chegar a nove bilhões até 2040. Precisamos de alimentos que ofereçam melhor qualidade nutricional, resistentes à seca, a doenças e pestes. Os transgênicos podem contribuir para isso."

Grupos ambientalistas na Grã-Bretanha vêem o "melhoramento nutricional" de plantas apenas como uma jogada de marketing da indústria de biotecnologia para vender mais transgênicos.

Cientistas, por outro lado, ressaltam os possíveis benefícios da tecnologia. E destacam, por exemplo, que o projeto BioCassava Plus, que busca desenvolver variedades mais nutritivas de mandioca para a África, é financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates - e não por grandes empresas interessadas e mercados lucrativos.

Um dos produtos que estão sendo desenvolvidos é o amendoim livre de moléculas alergênicas. Na Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, a pesquisadora Peggy Ozias-Akins estuda como desligar os genes responsáveis pela reação alérgica, assim como acrescentar genes que confiram resistência a doenças.

OESP, 07/07/2008, Vida, p. A16

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