OESP, Metrópole, p. E5
27 de Set de 2014
Novo protesto contra desabastecimento em Itu tem três feridos
Chamada para agir em manifestação, a PM usou bombas de efeitos moral e balas de borracha; quatro pessoas foram detidas
Chico Siqueira
Manifestantes e policiais militares voltaram a se enfrentar em mais uma manifestação contra a falta de água em Itu, no interior de São Paulo, na noite de quinta-feira. Chamada a PM usou bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar cerca de 150 jovens, na maioria estudantes, que participavam do protesto. Três pessoas ficaram feridas e outras quatro foram detidas por vandalismo.
Os manifestantes se concentraram na Praça da Matriz e seguiram em passeata até a frente do comitê do candidato a deputado federal Herculano Passos Júnior (PSD), ex-prefeito, apontado por eles como um dos responsáveis pelo desabastecimento. Aos gritos, os manifestantes protestavam contra a falta de água e pediam que o atual prefeito Antônio Tuíze (PSD) decretasse estado de calamidade pública.
Depois de meia hora de protestos, a Polícia Militar interveio, arremessou bombas de efeito moral e dispersou os estudantes. Ontem, a PM informou que foi chamada por funcionários do comitê do candidato que se sentiam ameaçadas pelo protesto.
De acordo com a PM, três jovens com ferimentos leves foram socorridos, medicados e levados à delegacia e depois, liberados. Outros quatro jovens acusados de atos de vandalismo e flagrados com tinta spray também foram levados à delegacia e em seguida liberados.
A PM continuou de prontidão nesta sexta-feira, pois novos protestos estavam marcados para ocorrer em Itu. Na segunda-feira, manifestantes já haviam entrado em confronto com a PM, durante um protesto em frente à Câmara Municipal. Cerca de 2 mil pessoas participaram do protesto. A PM dispersou a multidão com bombas de efeito moral.
Vandalismo. Manifestantes atiraram ovos nos vereadores e pedras contra a Câmara Municipal, quebrando todos os vidros do prédio. Um portão chegou a ser arrancado. Sete pessoas foram detidas.
Município foi o primeiro a decretar racionamento
Com 165 mil habitantes, Itu foi a primeira cidade paulista a decretar racionamento de água. A medida entrou em vigor no dia 1o de fevereiro, na zona sul, e foi ampliada para todo o município em março; hoje o abastecimento é feito em dias alternados. Itu capta água em seis reservatórios rasos que estão praticamente secos. O fornecimento é feito pela concessionária Águas de Itu, incorporada pela Águas do Brasil no auge da crise. A nova empresa passou a adquirir 3 milhões de litros diários de outras cidades para suprir a escassez e iniciou a construção de adutora para captar 280 litros por segundo em dois ribeirões, que só ficará pronta em janeiro. Após o protesto do início da semana, o prefeito Antonio Tuíze (PSD) pediu 24 poços artesianos da cervejaria Brasil Kirin para complementar o abastecimento e disse que não adianta decretar calamidade pública, como querem os promotores, porque o serviço é privado.
OESP, 27/09/2014, Metrópole, p. E5
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