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Novo foco do Bird

OESP, Notas e Informações, p. A3
19 de Nov de 2007

Novo foco do Bird

São Paulo foi apenas uma escala técnica indispensável da viagem que a vice-presidente do Banco Mundial (Bird) para a América Latina, Pamela Cox, fez ao Brasil na semana passada para avaliar o andamento dos projetos que a instituição apóia no País e discutir novos empréstimos. Da mesma forma que São Paulo, outros centros econômicos e políticos do Centro-Sul do Brasil, como Brasília e Rio de Janeiro, ficaram fora do roteiro de reuniões e discussões da principal dirigente do Bird para a América Latina. Seu destino era outro.

Embora continue a apoiar grandes projetos públicos na área de infra-estrutura, o Bird hoje financia prioritariamente programas voltados para o aumento da competitividade das economias locais, o desenvolvimento sustentável do ponto de vista ambiental e a redução da pobreza. No Brasil, boa parte dos novos financiamentos concedidos pelo banco é para programas em execução no Norte e no Nordeste, que foram as regiões percorridas por Pamela Cox. São projetos descentralizados, de valor bem menor do que o das grandes obras de infra-estrutura que o banco financiou em décadas passadas, mas que podem ter impacto imediato sobre as condições de vida da população.

A Estratégia de Assistência ao País (CAS, da sigla em inglês), que o Banco Mundial colocou em prática em 2004 e continua em vigor, estabeleceu um programa mais "modesto", de acordo com a instituição, mas ao mesmo tempo "ambicioso". Modesto em termos de abrangência e de valor, sobretudo quando se levam em conta as dimensões territoriais do Brasil, o potencial de sua economia e os financiamentos concedidos no passado; mas ambicioso no sentido de que o banco quer que seus projetos no Brasil se tornem o modelo de sua nova forma de apoio ao desenvolvimento dos países pobres e de renda média. Relatórios recentes da instituição têm destacado, por exemplo, a questão da necessidade de compatibilização do desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental.

É com essa preocupação que o Bird está examinando a concessão de um crédito de US$ 120 milhões para o governo do Acre, destinado ao desenvolvimento das comunidades locais. Outro financiamento com a mesma finalidade, no valor de US$ 30 milhões, está sendo negociado com o governo do Amazonas. Na Região Amazônica, o Bird só financia programas dos governos estaduais ou federal que levem em conta simultaneamente a conservação da floresta e o aumento da renda dos moradores da região.

É o que está previsto na estratégia de atuação do banco no País. Seus objetivos são aumentar o bem-estar dos brasileiros, especialmente os mais pobres, e apoiar as atividades que assegurem a estabilidade econômica, maior eqüidade social e a proteção ambiental.

A maior parte dos financiamentos mais recentes aprovados pela instituição para o Brasil tem essa característica. A lista inclui, por exemplo, US$ 50 milhões para gestão de recursos hídricos no Nordeste, US$ 60 milhões para o desenvolvimento rural sustentável no Pará, US$ 30 milhões para redução da pobreza no campo em Pernambuco, US$ 22,5 milhões para a redução da pobreza rural no Piauí e US$ 35,9 milhões para o sistema de águas do Rio Grande do Norte destinado a combater os efeitos da seca no meio rural.

Atualmente, o Banco Mundial tem uma carteira ativa de US$ 1,97 bilhão de empréstimos para o Brasil, bem menos do que já teve no passado. Além dos projetos citados, voltados para o combate à pobreza e à preservação ambiental, há outros programas financiados pelo Bird, como o de infra-estrutura rodoviária da Bahia, no valor de US$ 100 milhões, o de desenvolvimento de Minas Gerais (US$ 170 milhões) e o de infra-estrutura viária de Uberaba (US$ 17 milhões).

No ano passado, a diretoria do banco aprovou empréstimos de US$ 1,1 bilhão para o Brasil. Um dos financiamentos, de US$ 601,5 milhões, destinou-se a programa de redução de custos logísticos, melhora do ambiente para investimentos, estímulo à intermediação financeira e melhora das condições para a absorção de tecnologia e a inovação. Outro financiamento, de US$ 501,25 milhões, foi concedido ao governo federal para o programa de manutenção e recuperação de rodovias.

OESP, 19/11/2007, Notas e Informações, p. A3

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