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Autor: Jessé Souza
20 de Set de 2011
O agronegócio tem feito de tudo para que seus planos de avançar a qualquer custo não sofram perdas. E os principais alvos de combate têm sido o Código Florestal e as demarcações de terras indígenas em vários estados que tramitam administrativamente na Fundação Nacional do Índio (Funai) ou em litígio na Justiça.
Como em outros estados não há grande eco nem motivos fortes para combater as reivindicações dos índios pela garantia de suas terras e de defensores da natureza que luta por um novo Código, os mandatários do agronegócio buscam na Terra Indígena Raposa Serra do Sol o grande cavalo de batalha, mesmo eles sabendo que não há mais volta, uma vez que a questão foi decidida no Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte judicial brasileira.
A tática tem dado certo, a ponto de duas grandes emissoras de TV (Bandeirantes e Globo) terem vindo a Roraima produzir suas matérias requentadas a partir do rescaldo que a Raposa Serra do Sol tem provocado. Cenas repetidas de um filme que já assistimos.
Apesar de saber que a confirmação da homologação da terra indígena é irreversível, pois a questão constitucional de área de fronteira, subsolo, posse, soberania e outros delírios tenham sido definidos, os homens do agronegócio investem pesado no assunto.
Eles sabem que a opinião pública ainda tem em mente as constantes paranoias divulgadas e as insistentes teorias da conspiração apregoadas para confundir e amedrontar, pois eles sabem que o pânico funciona como uma cortina de fumaça eficiente.
Além disso, o assunto tem outra motivação forte: o interesse do rizicultor e hoje deputado federal Paulo César Quartiero. Com 12 processos que ele responde por causa das ações contra a homologação da terra indígena, inclusive ataques a agentes da Polícia Federal com coqueteis molotovs, é objetivo convencer a Justiça e a sociedade que ele "lutou por uma boa causa".
O que muitos esquecem é que Roraima não sumiu do mapa nem o setor produtivo do Estado faliu por causa da homologação, como esses mesmos personagens pregavam. Quem foi à Feira Industrial de Roraima (Feind 2011), realizada na semana passada, no Palácio Latife Salomão, pôde perceber que o setor produtivo avançou, apesar da crise que os governos locais enfrentam e alimentam.
Nenhum desses discursos do pânico se sustenta. Nenhuma invasão alienígena vai ocorrer nem há o menor indício de ocupação internacional em terras brasileiras (até porque suíços e outros estrangeiros já se apossaram das melhores terras que desejavam por aqui).
O que estamos presenciando é um esperneio bem arquitetado a fim de atender interesses pessoais e de grupos que não querem ver seus negócios contrariados ou reduzidos. E a Raposa Serra do Sol, por algum tempo, servirá de pano de fundo para alimentar a mente do brasileiro sedenta por paranoias e teorias conspiratórias.
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