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Novo acordo pode provocar falta d'agua em SP

OESP, Cidades, p.C1
06 de Ago de 2004

Novo acordo pode provocar falta d'água em SP
Sabesp terá acesso limitado ao Sistema Cantareira e teme problemas em estiagens
Silvana Guaiume
CAMPINAS - O abastecimento na Grande São Paulo está em risco em épocas de seca. O vilão desta vez não é só a estiagem, mas o novo plano de exploração do Sistema Cantareira, assinado ontem. O alerta foi feito em Campinas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), na última reunião para debater as regras de uso do sistema, que também abastece o interior.
Concedida pela Agência Nacional de Águas (ANA), a outorga (autorização para uso) do Cantareira terá validade de dez anos. Ela fixa o volume máximo - tanto em épocas de chuva quanto de seca - que a Sabesp pode retirar do sistema para abastecer cerca de 9 milhões de moradores na Grande São Paulo.
Assim como o teto disponível para o Comitê da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que fornece água a 4,5 milhões de pessoas na região de Campinas.
O problema é a captação de água autorizada nos períodos de seca, que desagradou às duas partes. A ANA fixou o limite de 24,8 metros cúbicos por segundo para a Grande São Paulo e 3 m3/s para a região de Campinas. O superintendente de Produção da Sabesp, Hélio Luiz Castro, disse que, ao longo do ano, a companhia terá de trabalhar no limite autorizado pela ANA durante 17% do tempo. O que pode ser insuficiente para abastecer a Grande São Paulo. "Não é a melhor situação, teremos menos garantia de água para a região."
O documento define que a Sabesp tem 30 meses - metade do tempo previsto em versões preliminares - para desenvolver estudos e projetos que permitam reduzir o peso do Cantareira no abastecimento da região metropolitana.
Castro concordou com a proposta, mas disse que somente depois dos estudos será possível fazer projeções e determinar prazos. O diretor da Sabesp afirmou que já há uma tendência de redução: nos anos 80, 60% do abastecimento da região dependia do Cantareira, índice que caiu para 47%.
O Sistema Cantareira entrou em operação há 31 anos. E tem dado mostras crescentes de esgotamento. No ano passado, praticamente secou, com um volume de armazenamento inferior a 2% de sua capacidade. No último trimestre, a Represa do Jaguari, uma das cinco que formam o sistema, chegou ao nível zero.
O governo do Estado evitou recorrer ao racionamento, preferindo esperar pela época das chuvas. No fim do mês passado, o Cantareira superou a marca de 25% da capacidade. Mas o limite calculado pelos técnicos para afastar de vez o risco de racionamento é de 40%.
A companhia agora tem dois trunfos para aumentar a captação de água destinada aos moradores da região metropolitana. As Represas de Biritiba, localizada no município de Biritiba-Mirim, e de Paraitinga, em Salesópolis, vão ampliar a produção do Sistema Alto Tietê em 4 m3/s a partir de 2006.
Esse volume é suficiente para abastecer 1 milhão de pessoas.
O Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do Estado está fazendo o desmatamento e a limpeza da área para que os reservatórios possam armazenar água durante as chuvas do próximo verão. Para que as duas represas possam ser operadas a contento, será necessária ainda a ampliação da estação de tratamento de água de Taiaçupeba.
Apesar das restrições impostas à Sabesp, Castro elogiou o conceito de gestão compartilhada dos recursos do Cantareira. "A sociedade ganha como um todo."
Banco - O presidente do Comitê da Bacia PCJ, Cláudio de Mauro (PV), prefeito de Rio Claro, ressaltou outro aspecto positivo do plano: a criação de um banco de águas. Por meio dele, a água não utilizada em São Paulo e na região de Campinas no período de chuva ficaria estocada para uso posterior, inclusive na estiagem. Caberá à ANA e ao Daee fazer a contagem dos volumes não utilizados com vistas à compensação no futuro. (Colaborou Mauro Mug)

OESP, 06/08/2004, p.

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