JB, Internacional, p.A14
07 de Ago de 2004
Novas espécies são descobertas
Peixes e lulas vivem em abismo marinho
TORONTO - Durante dois meses, 60 cientistas de 13 países vasculharam as profundezas que rodeiam a Dorsal Atlântica, a maior cordilheira submarina do mundo, para revelar os mistérios de uma das regiões mais desconhecidas do Oceano Atlântico.
0 resultado foi o Mar-Eco, uma das expedições marinhas mais detalhadas da História. 0 projeto descobriu em águas do Atlântico Norte o que podem ser várias novas espécies de peixes e lulas numa área que até agora era considerada uma espécie de deserto marítimo.
A Dorsal Atlântica é uma cordilheira que divide o oceano em dois: desde a Islândia até um ponto 7.200 quilômetros a Leste do extremo Sul da América do Sul, com picos submarinos que alcançam os 5 mil metros de profundidade e uma largura da base de 1.500 quilômetros de Leste a Oeste. , 0 estudo desta região do oceano era muito difícil até agora porque não havia tecnologia disponível, explica o norueguês Odd Aksel Bergstad, diretor do projeto Mar-Eco.
Mas a situação mudou nos últimos anos com o avanço de novas tecnologias, entre elas, os eco-sounders, um sofisticado tipo de sonar usado na expedição, que consegue captar animais de poucos centímetros de comprimento a até 3 km abaixo da superfície. Este sonar - tão preciso quanto o radar utilizado para orientar vôos de aviões comerciais - dirigiu as pesquisas feitas por veículos remotos, robôs que da nave-mãe G.O. Sars submergiam para fotografar a vida no fundo do mar.
Em duas prospecções da região da Dorsal entre a Islândia e os Açores, até o ponto em que alcançaram "uma nova descrição da biodiversidade da área", os cientistas listaram mais de 80 mil espécimes. No total, mais de 200 espécies de peixes de águas intermediárias foram identificadas, além de cerca de 100 espécies abissais.
Duas novas espécies de lulas foram descobertas. A primeira pertence à família Promachoteuthidae, da qual até agora se conheciam 11 espécies. A segunda lula pertence à Planctoteuthis. Além disso, outros cinco exemplares de peixes foram catalogados como novas espécies. Um é da ordem dos Ophidormes, uma das mais comuns de peixes abissais.
- A descoberta de novas espécies não ocorre muito freqüentemente - explica Bergstad. - Se deixássemos de recolher informação nova, conhecimentos novos sobre qualquer área, nos empobreceríamos como espécie - avalia.
0 norueguês considera que os cientistas recolheram material suficiente para manter-se ocupados durante quatro anos. 0 relatório final sobre a expedição Mar-Eco na Dorsal Atlântica só deve sair em 2008. (EFE)
JB, 07/08/2004, p. A14
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