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Nova paisagem em Mato Grosso

Ciência Hoje, n. 283, jul. 2011, Ecologia, p. 55
31 de jul de 2011

Nova paisagem em Mato Grosso
Campanha recupera as matas ciliares na bacia do rio Xingu

Y Ikatu Xingu significa "água boa, limpa" na língua dos índios camaiurás. Uma campanha de restauração florestal com esse nome tem mudado a paisagem de Mato Grosso. A iniciativa uniu governo, proprietários rurais, organizações não governamentais e assentados da reforma agrária pela recuperação e proteção das matas ciliares da bacia do rio Xingu, essenciais à sua preservação.
A Y Ikatu Xingu surgiu em 2004, quando o desmatamento em função da agricultura e pecuária já havia abatido 300 mil hectares da cobertura vegetal original das nascentes e margens do rio. "Começamos a desenvolver estratégias como a educação agroflorestal, planejamento territorial e restauração das nascentes e matas de beira de rio para reverter a situação", diz Rodrigo Junqueira, coordenador-adjunto do programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA) para a região.
O Instituto é um dos principais parceiros da iniciativa, que tem apresentado ótimos resultados. Houve reflorestamento de mais de 2 mil hectares em 370 áreas em propriedades rurais, assentamentos e terras indígenas.
Grande parte do sucesso se deve à adoção da técnica da semeadura direta por meio do plantio mecanizado.
Nela, o maquinário agrícola é empregado para restauração da vegetação a partir de sementes de espécies nativas. O modelo é mais barato do que o tradicional cultivo de mudas.
A mistura de sementes usadas no plantio é chamada 'muvuca'. "Tentamos nos aproximar do que a natureza faz, juntando espécies da floresta com plantas agrícolas" afirma Junqueira.
Assim, além de contribuir na restauração florestal, a mistura reduz a disseminação de espécies invasoras e aumenta a riqueza de nutrientes do solo, como o nitrogênio, graças à presença de plantas leguminosas.
A matéria-prima da 'muvuca' vem da Rede de Sementes do Xingu, projeto paralelo que colabora com a iniciativa do reflorestamento. Cerca de 300 famílias das áreas em que acontece a restauração florestal recolhem sementes na mata e dividem o lucro proveniente da venda. Graças a esse trabalho, em 2010, a Rede de Sementes comercializou 534 toneladas de sementes Desde seu início.e m 2007, 459 mil reais foram transferidos em renda direta às famílias. Segundo Junqueira, esse sistema prova que é possível conciliar meio ambiente e geração de renda.
Acordos recentes entre produtores e grandes empresas preveem a captura de 115 mil toneladas de carbono em 336 hectares de área reflorestada nos próximos 30 anos. "O ISA e seus parceiros assessoram o plantio e medem o sequestro de CO, nas áreas", explica Junqueira. Em troca, as corporações financiam os custos com o plantio das árvores. "Isso representa inovação e aprendizagem para os produtores em um campo ainda muito recente no país, o do desenvolvimento sustentável", conclui o engenheiro agrônomo.

Saulo Pereira Guimarães Ciência Hoje RJ

Ciência Hoje, n. 283, jul. 2011, Ecologia, p. 55

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