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Nova ocupação ameaça últimas florestas do Pará

Agência Câmara-Brasília-DF
28 de Mai de 2004

O Pará está entrando em um novo ciclo de ocupação de terras, que pode ser ainda mais violento que o desencadeado a partir dos anos 70 nas regiões sul e sudeste do Estado. A advertência é do procurador do Ministério Público Federal no Pará, Felício Pontes, que participou, ontem, de uma audiência pública com integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra na capital paraense.
Ele advertiu que a região oeste do Pará - onde estão as últimas florestas de mogno do mundo - pode ser o cenário de um novo massacre de trabalhadores rurais se o Estado não marcar rapidamente sua presença.

Ocupação e mortes
O procurador disse que o "delírio militar" de ocupar a Amazônia para que ela não fosse internacionalizada teve dois objetivos: a extração da madeira e a produção pecuária. Felício Pontes afirmou que hoje a pecuária foi substituída pela plantação de soja, e que essa substituição trouxe um agravante: a pecuária fazia poucos empregos, mas fazia, enquanto a soja praticamente não emprega.
A invasão do sul do Pará por grandes fazendeiros, desalojando índios, pequenos agricultores e trabalhadores rurais, transformou essa região na mais violenta do País. Entre 1971 a 2003, foram mortas 419 pessoas em conflitos agrários. "Não é possível 419 assassinatos sem julgamento, sem esclarecimento, em uma só região", desabafou o deputado Jamil Murad (PCdoB-SP). O parlamentar apelou para que a Justiça autorize uma escuta telefônica a fim de ligar pistoleiros a mandantes e acabar com a impunidade.
No Pará, 70% das terras públicas do Estado pertencem à União, o que, segundo o deputado João Alfredo (PT-CE), relator da CPMI, torna a reforma agrária no Pará mais barata, porque bastaria o Governo tomar as terras ocupadas irregularmente.

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