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Nova face para a Amazônia

O Globo, Revista O Globo, p. 40-41
28 de Mai de 2006

Nova face para a Amazônia
Mapas inéditos criados no Inpe revelam detalhes sobre os rios e as florestas

Por Roberta Jansen

Para proteger a Amazônia, o primeiro passo é conhecê-la muito bem. Mas apesar de tudo o que se estuda e se discute sobre a floresta, a verdade é que os dados sobre ela são relativamente restritos. Somente agora, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está lançando dois grandes mapas, da cobertura vegetal e da hidrografia da região, feitos a partir de uma base única de dados e com um grau de detalhamento inédito, que servirão de sustentação para as mais diversas cartas sobre a floresta.

- É o retrato mais completo que temos da Amazônia toda, não só da brasileira - aponta Paulo Roberto Martini, coordenador do Projeto Panamazônica II, cujo objetivo é, justamente, conhecer melhor a região. - Os outros mapas não apresentam dados de forma tão integrada porque não foram feitos a partir de um procedimento e metodologia únicos. Ou são informações particularizadas de cada país ou são dados produzidos a partir de fontes diferentes. O nosso mapa é único porque foi feito em cima de um mesmo conjunto de imagens da Nasa.

O lançamento dos dois mapas é o ponto de partida do projeto Panamazônica II previsto para ser concluído até o fim deste ano. Até lá, segundo os especialistas envolvidos, o país terá mapas bastante específicos da região, onde poderá contemplar, por exemplo, áreas de floresta, áreas de floresta alterada, cerrado, regiões de rebrota, áreas queimadas, o desmatamento total, hidrografia, nuvens na região, expansão das cidades, estradas e portos.

- Esses dois mapas que já estão prontos vão ser a base para vários outros estudos - explica Martini. - Porque queremos avaliar, por exemplo, não só a área desmatada, mas enriquecer essas informações. É importante ter um recorte disso por período, saber em que áreas ocorre a recuperação da vegetação desmatada, separar as áreas de savana, descobrir onde existe uso da terra seja qual for, para onde estão se expandindo as estradas, essas coisas.

Os dois mapas foram feitos a partir de um mosaico de todo o mundo produzido e disponibilizado pela Nasa, a agência espacial americana. O mosaico é composto de imagens de precisão cartográfica de ponta.

- Recuperamos parte do acervo que cobre a área do nosso interesse, que, no caso, compreende o Brasil e os demais países amazônicos, uma área de domínio de floresta de sete milhões de quilômetros quadrados - explica Martini. - A parte hidrográfica também vem de uma base de dados comum.

Os mapas são digitais, o que possibilita aos interessados destacar o trecho de interesse específico e obter o máximo de informação sobre a área.

As duas novas cartas foram realizadas com dados referentes ao ano 2000. Outros mapas, dessa vez com dados de 2005, já estão sendo desenvolvidos para que se possa ter uma real dimensão da evolução dos processos que ocorrem na floresta.

- Por enquanto, esses mapas são dois grandes suportes para estudos realizados sobre a região. O mais importante é que são suportes de grande categoria - sustenta Martini. - Já está na hora de passarmos a enxergar a área como uma grande região, como um biossistema integrado, ou perderemos o contexto e toda a biodiversidade que contém.

A partir dos dados de 2005, a idéia do projeto é manter um monitoramento anual de toda a floresta tropical úmida da América do Sul. Ou seja, segundo os especialistas, o mapa-base do Projeto Panamazônia II será o obtido com as imagens mais recentes.

"A partir daí novas imagens serão inseridas na base de dados para executar o monitoramento, anual inicialmente, do desmatamento em toda região", explica o Inpe, em seu site. O próprio Inpe, através de sua estação em Cuiabá, no Mato Grosso, grava imagens diárias, que são gratuitas e cobrem toda a área compreendida pela floresta tropical úmida da América do Sul. Essas imagens serão utilizadas na atualização dos dados.

Não se trata de uma iniciativa exclusivamente brasileira. Cada um dos países com cobertura amazônica está envolvido no projeto. Ao longo dos próximos 12 meses, cada um definirá equipes de especialistas para elaborar bancos de imagens integrados sobre a floresta.

O Inpe já é o responsável, atualmente, pela divulgação anual do índice de desmatamento da Amazônia legal - que engloba a cobertura total da floresta e não só a que se encontra em território brasileiro. A idéia agora é ampliar ainda mais o conhecimento.

O Globo, 28/05/2006, Revista O Globo, p. 40-41

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