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Noruega promete US$ 1 bilhão

CB, Mundo, p. 23
17 de set de 2008

Noruega promete US$ 1 bilhão

Silvio Queiroz
Da equipe do Correio

A Noruega reservou US$ 1 bilhão para investir ao longo dos próximos 10 anos no Fundo Amazônia, recém-lançado pelo governo brasileiro para captar recursos internacionais destinados à preservação e à exploração sustentável da maior floresta tropical do planeta. O anúncio foi feito ontem pelo primeiro-ministro Jens Stoltenberg, no início de sua breve visita a Brasília. Para ele, o fundo é "a maneira mais barata e mais eficaz de reduzir em grande escala as emissões" de gases causadores do efeito estufa.

A doação inicial, prevista para 2009, será de US$ 130 milhões. O restante da verba será liberado mediante a comprovação de que o desmatamento está efetivamente sendo reduzido - o Brasil terá de documentar os resultados com imagens de satélite e outros mecanismos de monitoramento. "Essa é a grande vantagem do Fundo Amazônia: funciona na base de 'pagamento na entrega'", argumentou Stoltenberg em entrevista à imprensa brasileira e norueguesa no gramado do Congresso.

O premiê norueguês formalizou a adesão após uma reunião de trabalho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguida pela assinatura de um memorando de entendimento e um almoço em homenagem ao visitante, no Palácio do Itamaraty. "No dia em que outros países tiverem a mesma atitude, começaremos a ter certeza de que o aquecimento global vai começar a diminuir", respondeu Lula, agradecendo o "gesto forte" do governo nórdico. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, espera receber em curto prazo a adesão também da Suécia, Suíça, Alemanha e Japão.

O conceito no qual o Fundo Amazônia se baseia é um exercício de combinar a vontade expressa por países desenvolvidos de financiar o combate ao aquecimento global e à mudança climática com a gestão soberana das políticas ambientais pelos países em desenvolvimento. "Serão as autoridades brasileiras que definirão as ações para a preservação da Amazônia - isso é algo que absolutamente não temos como fazer de Oslo", afirmou Stoltenberg. Do ponto de vista dos doadores, os aportes valerão créditos de carbono, mecanismo previsto no Protocolo de Kyoto, do qual Brasil e Noruega são signatários. Os países desenvolvidos, que têm metas a cumprir na redução global das emissões, podem contabilizar como uma tonelada de gás carbônico cada US$ 5 destinados a nações em desenvolvimento para desenvolvimento "limpo".

Antes do encontro com Lula, Stoltenberg assistiu na UnB à abertura de um seminário sobre os 25 anos de apoio da Noruega às nações indígenas. À tarde, o premiê foi conhecer de perto o destino do bilhão de dólares destinado por seu governo: embarcou para Santarém (PA), de onde seguiria em um barco para uma excursão de pernoite na floresta.

CB, 17/09/2008, Mundo, p. 23

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