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Noble prevê quase dobrar receita no País este ano

OESP, Negócios, p. B12
09 de Out de 2010

Noble prevê quase dobrar receita no País este ano
Gigante do setor de commodities investe em logística e biocombustíveis no Brasil

Fernando Scheller -

O Noble Group, um dos maiores negociadores de commodities do mundo, com receita superior a US$ 30 bilhões ao ano, diversifica a atuação no Brasil, com investimentos nas áreas de combustíveis e logística. A companhia, que inaugurou ontem um terminal de exportação de açúcar e grãos no Porto de Santos, afirma que seu faturamento no País deve praticamente dobrar este ano, superando a casa de US$ 1 bilhão.
Os investimentos do grupo baseado em Hong Kong no País incluem duas usinas de álcool em São Paulo, uma processadora de café em Minas Gerais e armazéns nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul. A empresa atualmente constrói um porto de exportação de combustíveis no Maranhão, que será inaugurado em novembro, e uma esmagadora de soja para produção de biodiesel em Mato Grosso, que deverá entrar em operação em 2012.
Segundo o presidente do Noble Group, o brasileiro Ricardo Leiman, os aportes em território brasileiro somaram US$ 1 bilhão nos últimos quatro anos - foi a partir de 2007 que o grupo elegeu o Brasil como destino prioritário de investimentos.
O presidente do Conselho de Administração do Noble Group, Tobias Brown, diz que a companhia prefere trabalhar com projetos próprios: "Preferimos construir algo a fazer aquisições."
Em termos porcentuais, no entanto, a operação brasileira ainda é pequena, ao redor de 3% da receita mundial. Leiman explica que isso ocorre porque a maior parte dos negócios locais ainda se concentra no setor agrícola, embora as áreas de energia e mineração sejam mais relevantes para o faturamento global.
Menor preço. Os investimentos recentes, argumenta o executivo, colocam o Brasil na categoria de mercado prioritário. A concentração de aportes no agronegócio, diz Leiman, é reflexo da vantagem competitiva do País no setor de commodities.
"O Brasil é o mais competitivo do mundo em carne, café e laranja e provavelmente o terceiro mais competitivo em soja e algodão", diz o executivo
Segundo Leiman, a política de investimento do Noble Group tem como foco a oferta de um produto pelo menor preço. Por isso, explica, um complexo de processamento de oleaginosas foi aberto na Argentina. "O custo de produção era o mais baixo do mundo", explica o executivo, referindo-se ao projeto inaugurado em abril.
O executivo diz que, pelo mesmo motivo, a empresa concentrou seus investimentos em carvão na Austrália e na Indonésia. "Somos uma empresa de commodities, e não queremos ficar reféns dos preços altos e baixos que fazem parte do negócio cíclico. Por isso, precisamos ser sempre competitivos."
Apesar de o Noble Group ter recebido uma injeção de capital da China Investment Corp. em 2009 - e considerando o forte interesse chinês pelos recursos minerais brasileiros -, a atuação do grupo no segmento é tímida no Brasil, resumindo-se a uma fatia de 30% em uma mina no Rio Grande do Norte. Sem fornecer detalhes, a companhia diz apenas que está atenta a novos investimentos em mineração no Brasil.
Outro ponto de atração exercido pelo mercado brasileiro é o consumo interno. Os aportes do Noble no setor sucroalcooleiro têm o objetivo de atender à demanda nacional de etanol - a empresa diz que não vê a criação de um mercado mundial para o produto no curto prazo.
"Da produção de etanol, exportamos somente 20%", afirma Leiman. O executivo diz que o projeto de biodiesel em Mato Grosso é outro exemplo da aposta do Noble em produtos de maior aceitação no mercado interno.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101009/not_imp622672,0.php

Companhia ''descobriu'' o Brasil a partir de 2007

O presidente do Noble Group, Ricardo Leiman, explica que a operação brasileira da gigante das commodities só ganhou escala nos últimos quatro anos. Em 2006, a empresa tinha oito funcionários no Brasil, número que subiu para mais de 4 mil neste ano. Os investimentos locais da companhia em armazéns, produção de biocombustíveis e logística já somam US$ 1 bilhão.
O presidente do Conselho de Administração do Noble Group, Tobias Brown, afirma que a recente "explosão" da presença no Brasil faz sentido dentro da estratégia de negócios da companhia. "É bastante comum iniciarmos a atuação em um novo mercado de forma tímida, para conhecermos o governo e os parceiros antes do investimento em larga escala. No caso do Brasil, hoje temos a certeza do nosso comprometimento no longo prazo."
Para Brown, investimentos em logística, como o feito no Porto de Santos, são centrais para a estratégia do Noble Group. "Retiramos o produto na lavoura e precisamos levá-lo ao mercado. Todas as operações têm de andar de mãos dadas com o planejamento logístico. Nosso negócio é levar, por um preço competitivo, as mercadorias para os mercados que delas precisam."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101009/not_imp622674,0.php

OESP, 09/10/2010, Negócios, p. B12

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