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No rastro dos "rios" nos céus

CB, Brasil, p. 7
01 de Jun de 2007

No rastro dos "rios" nos céus

Os franceses Gérard e Margi Moss voltam a sobrevoar o país atrás das correntes que carregam a umidade da Amazônia para o centro-sul brasileiro. Tentam avaliar se as queimadas mudaram os ciclos das chuvas

Ullisses Campbell
Da equipe do Correio

O casal das águas inicia nova jornada de aventuras pelos céus do país. Depois de coletarem amostras dos rios brasileiros, Gérard e Margi Moss seguirão o rastro dos "rios" atmosféricos e das correntes de ar que carregam umidade da Região Norte para a Sul e que são responsáveis pela chuva nas demais regiões brasileiras. A expedição do casal será lançada hoje na Agência Nacional das Águas (ANA), em Brasília.

Na nova empreitada, Gérard e Margi usarão o mesmo avião que os serviu no projeto Brasil das Águas. Desta vez, eles recolherão em grande escala amostras dos vapores d'água transportados da Bacia Amazônica para outras regiões e até mesmo para outros países da América do Sul. Denominada Rios Voadores, a expedição usará como ponto de partida uma descoberta feita há 30 anos pelo cientista brasileiro Enéas Salati. Ele revelou que o vapor d'água que penetra na Região Amazônica, vindo do Oceano Atlântico, atinge o Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

O principal objetivo da nova expedição é saber se as queimadas na Amazônia estão afetando o ciclo de chuvas na Região Norte e nas demais regiões, já que os rios migram pelo ar. O casal de exploradores ambientais também irá percorrer o país para aprofundar os estudos sobre as correntes de ar que carregam umidade de norte a sul. As amostras de vapor serão analisadas pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), em Piracicaba (SP), e os primeiros resultados saem em 2008.

No projeto anterior, que assim como o atual foi patrocinado pela Petrobras, mais de mil amostras de água foram coletadas em vôos que totalizaram quase 200 mil quilômetros, uma distância equivalente a três voltas à Terra. Todas as regiões hidrográficas do país foram exploradas pelo casal.

O laboratório que fará a análise do vapor da água dos rios será o mesmo, desenhado e montado pela própria equipe, com tecnologia 100% brasileira. Os resultados anteriores das análises dos rios ajudaram a desenhar um abrangente panorama da qualidade da água do país para fins de alerta e conscientização.

Alerta
O projeto tenta aproximar a população dos centros urbanos das grandes questões na Amazônia, além de alertar sobre o uso racional dos recursos naturais e os efeitos das mudanças climáticas. "Vamos revelar para o grande público a verdadeira nascente dos recursos hídricos brasileiros", disse Gérard Moss.

O casal tem experiência no assunto. Em maio e junho de 2006, Gérard e Margi navegaram 1.900 quilômetros da extensão do Rio Araguaia coletando amostras e fazendo um trabalho de conscientização com as populações ribeirinhas. Ao alcançar a foz do Tocantins, por exemplo, estranharam o fato de o rio formado pelo encontro de dois grandes mananciais seguir com o nome de Tocantins, visto que o Araguaia é, visivelmente, o rio mais importante, em tamanho e volume de água, além de ter uma extensão maior.

O projeto Brasil das Águas teve início em 2003. O casal utilizou um avião anfíbio, transformado em laboratório aéreo, para realizar um levantamento inédito sobre a qualidade da nossa água doce. O país detém 12% de toda a água doce do planeta. Segundo Gérard Moss, somente um avião poderia alcançar os cantos mais distantes do território nacional para coletar amostras de água e tornar possível a realização de um estudo tão abrangente dentro de um período de pouco mais de um ano.

Quem quiser maiores informações e as conclusões da primeira versão do projeto pode acessar o site www.brasildasaguas.com.br. A nova etapa do projeto também pode ser conhecida por meio do site www.riosvoadores.com.br.

CB, 01/06/2007, Brasil, p. 7

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