OESP, Vida, p. A20
17 de Jun de 2006
No Caribe, o mundo discute o futuro das baleias
Livia Deodato
Teve início ontem e vai até a próxima terça-feira o encontro anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB), na ilha caribenha de St. Kitts e Nevis. Fundada em 1946, a CIB é o único organismo internacional de gestão de todas as espécies de cetáceos (baleias, botos e golfinhos) e tem a participação de 70 países. Há 20 anos, a CIB impôs uma moratória que proíbe a caça às baleias em todo o mundo, com exceção de comunidades da Groenlândia, Sibéria e Alasca.
Pela primeira vez, as nações pró-caça, lideradas pelo Japão, esperam ter a maioria dos votos para conseguir derrubar a moratória. Para tanto, precisam alcançar 75% dos votos a seu favor. "Através de um processo discutível de 'consolidação de votos', o Japão tem conseguido apoios de países como Nauru, Vanuatu, Kiribati e Ilhas Marshall, que têm direito a um voto cada. Assim, ele está próximo de conseguir uma maioria simples na CIB", disse ao Estado José Truda Palazzo Jr., um dos três integrantes da delegação científica brasileira e também Vice-Comissário do Brasil na CIB.
O Brasil leva novamente ao encontro a proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, onde a caça continuaria proibida e as atividades de uso não letal seriam incentivadas.
Nas primeiras votações da plenária, realizadas ontem, foram rejeitadas duas tentativas do Japão: a de tirar pequenos cetáceos da pauta (por 32 a 30) e a de realizarem somente votações secretas (por 33 a 30).
OESP, 17/06/2006, Vida, p. A20
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